Petrobras lidera lucro entre petroleiras do mundo no primeiro trimestre
A Petrobras foi a empresa que mais lucrou no primeiro trimestre deste ano entre as grandes petroleiras do mundo, de acordo com levantamento feito pela Elos Ayta.
O aumento na produção, a desvalorização do dólar frente ao real e a alta nas cotações internacionais fizeram a estatal registrar ganhos de US$ 6,2 bilhões entre janeiro e março, colocando a companhia na dianteira do ranking.
Em segundo lugar aparece a Shell, com US$ 5,6 bilhões, seguida da ExxonMobil, com US$ 4,1 bilhões. O ranking considerou apenas as produtoras de óleo e gás com valor de mercado acima de US$ 50 bilhões.
Segundo Einar Rivero, CEO da Elos Ayta, o lucro da Petrobras em dólar registrou alta de 3,7% na comparação anual e foi influenciado pela desvalorização do dólar, que passou de R$ 5,85 para R$ 5,26, na média entre o primeiro trimestre do ano passado e o início deste ano. Já em reais, por outro lado, o lucro caiu 7,2%, para R$ 32,6 bilhões, justamente pela valorização do real frente ao dólar.
— Como a conversão para dólares é realizada com uma taxa de câmbio mais baixa, cada real de lucro passou a corresponder a um valor maior em moeda americana. Assim, mesmo com recuo no lucro em reais, o resultado em dólares mostrou expansão — explica Rivero.
Além do câmbio, especialistas ressaltaram o aumento da produção no início deste ano, influenciado pela alta de 17,8% no pré-sal. Contribuiu ainda o fato de a companhia não ter operações no Oriente Médio, o que afetou os negócios de diversas empresas que atuam na região, como Shell, Exxon, Chevron e TotalEnergies. O avanço do preço do petróleo também ajudou a estatal brasileira a alcançar a liderança no ranking, que subiu para acima de US$ 100, diz ele:
— O trimestre também foi marcado pelo aumento das tensões no Oriente Médio, após a escalada do conflito no Oriente Médio. O ranking foi influenciado por fatores operacionais, cambiais e conjunturais. Em 2025, a Exxon Mobil liderou a amostra, com lucro líquido de US$ 28,8 bilhões, enquanto a Petrobras ficou na segunda posição, com US$ 20 bilhões.
Empregos aumentam
Em evento na Bahia para a retomada da produção de fertilizantes no estado ontem, Magda Chambriard, presidente da estatal, comemorou o resultado e atrelou o lucro ao aumento da produção de petróleo e gás.
— Fomos a empresa mais lucrativa do planeta no primeiro trimestre. Não é pouca coisa. Nunca dantes na história deste país. E como fizemos isso? Colocamos muita produção no tanque. Temos dois campos que superam a produção de mais de um milhão de barris por dia. Estamos entregando mais de 50 milhões de metros cúbicos por dia de gás. Há dois anos, eram 29 milhões — afirmou ela.
Mas, apesar do aumento da produção, o setor precisa ampliar a recuperação de reservatórios e aumentar os investimentos previstos em novas fronteiras, como a Margem Equatorial, no litoral dos estados do Amapá ao Rio Grande do Norte, e a Bacia de Pelotas, no Rio Grande do Sul, segundo o Caderno Abespetro 2026, lançado ontem. Só assim o país vai conseguir elevar seu volume de reservas provadas de petróleo dos atuais 17 bilhões para 23,5 bilhões de barris na próxima década. A entidade, que representa os fornecedores da indústria de óleo e gás, estima que, para o país alcançar esse marco, serão necessários investimentos de ao menos US$ 30,6 bilhões por ano.
— O Brasil não realizou sequer uma perfuração de poços em áreas consideradas de nova fronteira entre 2018 e 2024. A Noruega perfurou 32 poços em novas fronteiras no período, enquanto Guiana e Suriname somaram 62 poços, e as regiões sul e oeste da África contabilizaram 28 poços — afirma Telmo Ghiorzi, presidente-executivo da Abespetro.
A entidade também destacou que o Brasil encerrou o ano passado com quase 700 mil pessoas empregadas de forma direta e indireta no setor, número que retoma o patamar de 2010, quando as vagas atingiram recorde histórico. Depois disso, porém, o setor entrou em declínio por conta da crise desencadeada após a revelação da Lava Jato e da queda no preço do petróleo, que freou os investimentos.
Para Ghiorzi, embora o dado mostre um aquecimento do setor nos últimos anos, ele destaca a necessidade de o país manter os ciclos de leilões de novas áreas e a importância de melhorias na questão regulatória, criticando, por exemplo, a tributação sobre a exportação de petróleo:
— Precisamos de mais empresas privadas no Brasil.
Matéria publicada no portal da Fecombustíveis, no dia 15/05/2026, às 06:00 (horário de Brasília)
