Petrobras negocia associação à Ubrabio, em aproximação com produtores de biodiesel
A Petrobras está pleiteando o ingresso da subsidiária PBio à União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), disse nesta quinta (14/5) o gerente executivo da área de Transição Energética da petroleira William Nozaki.
Ele aludiu à aproximação como “um abraço do agro com o petro [petróleo]” e negou articulação para modificar a Lei do Combustível do Futuro.
Nozaki participou nesta tarde do III Fórum Biodiesel e Bioquerosene, promovido pela Ubrabio em São Paulo, e afirmou que a estatal está “reabrindo os estudos e avaliações” sobre a retomada da planta de biocombustível de Quixadá (CE).
“A orientação estratégica da Petrobras é por fortalecer a PBio. Entendemos que a PBio é um instrumento fundamental para atuação do sistema Petrobras junto ao segmento de biodiesel. E é nesse sentido que aproveito para anunciar que a PBio e a Petrobras estão pleiteando o ingresso da nossa subsidiária na Ubrabio”, disse o executivo.
No bastidor está a articulação de um acordo setorial para encontrar um espaço para o diesel coprocessado com óleo vegetal, batizado pela petroleira de Diesel R, no mercado hoje reservado ao biodiesel.
“Entendemos que o Diesel R é um ponto fundamental de diálogo com o segmento de biodiesel, na medida em que a produção desse coprocessado gera e antecipa uma demanda or matérias-primas que faz com que a Petrobras e o setor de biodiesel se enxergem como parceiros nesse processo”, disse o gerente.
Nozaki negou, no entanto, qualquer iniciativa no sentido de mudar a lei do Combustível do Futuro, onde a Petrobras saiu derrotada de sua ofensiva para incluir o coprocessado no madato de biodiesel e, posteriormente, de diesel verde.
“A Petrobras não tem uma agenda de revisão ou de discussão sobre a lei do Combustível do Futuro. Pelo contrário. A gente acata a lei e quer se aproximar do setor de biodiesel para aproveitar as oportunidades que estão abertas a partir desse novo cenário e aperfeiçoar aquilo que pode ser feito em conjunto”, afirmou.
É uma mudança na narrativa da petroleira sobre o tema. Em outubro de 2025, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse em evento da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) que a companhia pretendia retomar, no início de 2026, a discussão junto ao governo e Congresso sobre uma política pública para o diesel coprocessado.
“Conseguimos hoje oferecer um diesel com 10% de conteúdo vegetal tão estável e perfeito que a única forma de detectar a diferença é com um teste de carbono 14, capaz de distinguir o carbono antigo do carbono novo. Este coprocessado não tem mandato porque o Combustível do Futuro excetuou esse diesel. Eu não acho isso razoável e não é justo. Nós vamos tratar disso no início do ano”, afirmou na época.
A jornalistas, Nozaki explicou nesta quarta que a companhia está “reorganizando a relação” com o setor de biodiesel.
“A gente entende que a lei estabeleceu os mandatos e esse debate foi superado. A posição da Petrobras agora é buscar interlocução com os setores que têm mandato e buscar melhor caminho para colocação do Diesel R”.
“Aquele mal estar que houve no passado sobre uma suposta concorrência entre o Diesel R e o biodiesel está sendo amenizado, com entendimentos mútuos”.
Segundo o executivo, a lei dá espaço para atuação conjunta. Além disso, ele conta que a aproximação com produtores de biodiesel também irá olhar para possibilidades de parcerias comerciais envolvendo os diversos elos da cadeia produtiva, desde a aquisição de óleo vegetal como matéria-prima, até a destinação do farelo oriundo do processamento da soja.
“Nessa nossa aproximação com a Ubrabio, uma das primeiras lições que aprendemos é que o aumento do mandato de biodiesel vai trazer uma questão sobre a produção de farelos, que vai precisar ser devidamente endereçada e a disposição da Petrobras é olhar em conjunto toda essa cadeia produtiva para pensar tanto nossa atuação nacional, quanto as oportunidades na prospecção de novos mercados internacionais”, comentou.
B16 só depois dos testes
Apesar da aproximação com o setor, a petroleira matém posição contra o aumento imediato da mistura de biodiesel no diesel, dos atuais 15% para 16%, como querem os produtores associados à Ubrabio.
Para a estatal, o avanço do cronograma previsto em lei deve respeitar a realização de testes de validação em motores, argumento utilizado pelo governo para adiar o aumento antes previsto para março.
“A gente apoia a implementação da lei com a previsão de todos os testes estabelecidos, com o tempo adequado para que a gente possa fazer as mensurações, para que o conjunto da cadeia produtiva possa ter traquilidade”, disse à agência eixos.
Matéria publicada na agência Eixos, no dia 14/05/2026, às 17:08 (horário de Brasília)
