Os preços do petróleo sobem pelo quinto dia consecutivo, enquanto as hostilidades entre EUA e Irã ameaçam as rotas de abastecimento

Os preços do petróleo atingiram o nível mais alto em mais de um mês nesta quinta-feira, subindo pelo quinto dia consecutivo depois que os houthis do Iêmen disseram ter atacado dois petroleiros sauditas, aumentando os temores de que a interrupção no fornecimento global de petróleo possa se espalhar para além do Estreito de Ormuz.

Os contratos futuros do petróleo Brent subiram US$ 4,52, ou 4,80%, para US$ 98,59 o barril às 06:35 (horário de Brasília), tendo atingido sua maior cotação desde 3 de junho.

O petróleo bruto West Texas Intermediate dos EUA subiu US$ 3,39, ou 3,90%, para US$ 90,22, após atingir seu maior valor desde 11 de junho.

“A perspectiva imediata para o petróleo bruto permanece favorável, visto que os mercados precificam uma probabilidade preocupante de interrupções no fornecimento em um segundo ponto de estrangulamento”, disse Ahmad Assiri, estrategista de pesquisa da Pepperstone.

Além do renovado conflito pelo controle do Estreito de Ormuz, os houthis do Iêmen abriram uma nova frente, atacando navios que transportam petróleo saudita no Estreito de Bab el-Mandeb e tentando impor um bloqueio naval à Arábia Saudita.

Os houthis, alinhados ao Irã, disseram na quinta-feira que atacaram dois petroleiros sauditas como parte de um bloqueio naval à Arábia Saudita.

Dois superpetroleiros chineses, transportando um total de 4 milhões de barris de petróleo saudita, estão saindo do Mar Vermelho pelo estreito de Bab el-Mandeb nesta quinta-feira, segundo dados de navegação, mesmo com um navio saudita tendo sido atacado na região.

O Goldman Sachs afirmou que o fluxo de petróleo pelo estreito de Bab el-Mandeb teve uma média de quase 9 milhões de barris por dia no último mês, incluindo quase 4 milhões de barris por dia que podem ser difíceis de redirecionar devido ao bloqueio de múltiplos pontos de estrangulamento na região.

A Guarda Revolucionária do Irã informou que um petroleiro pegou fogo após uma explosão enquanto tentava seguir uma rota minada na área sul do Estreito de Ormuz, perto da costa de Omã, e que outros dois tiveram que retornar.

A Guarda Revolucionária afirmou que o estreito estava sob seu controle e “completamente fechado” enquanto as ações dos EUA continuassem na região, alertando que nenhum petroleiro teria permissão para entrar ou sair sem coordenação com o Irã.

As Forças Armadas dos EUA disseram ter completado a 12ª noite consecutiva de ataques contra o Irã, horas depois de o presidente americano Donald Trump prometer destruir uma ponte ou usina elétrica iraniana sempre que o Irã atirar em um navio no Estreito de Ormuz.

A Goldman Sachs prevê que os preços do petróleo mantenham a maior parte dos ganhos recentes durante julho e agosto, à medida que os estoques globais continuam a diminuir, impulsionados pela menor produção no Oriente Médio, pela demanda sazonal de viagens de verão e por uma forte desaceleração na liberação de reservas estratégicas de petróleo.

Entretanto, as margens do diesel europeu atingiram um recorde de US$ 66,25 por barril em 17 de julho, impulsionadas pela proibição russa de exportação de diesel após repetidos ataques ucranianos às suas refinarias e preocupações com novas interrupções no fornecimento do Oriente Médio, e chegaram a ser negociadas a US$ 65,30 por barril na quinta-feira.

Matéria publicada na Reuters, no dia 23/07/2026, às 00:00 (horário de Brasília)