Ataque com drone perto do Canal de Suez, no Egito, aumenta a ameaça à segurança em meio à crescente guerra

Um ataque com drone contra navios de gás no porto egípcio de Damietta, no Mediterrâneo, sinalizou uma possível nova frente na guerra entre os EUA e o Irã, aumentando a possibilidade de ameaças à navegação pelo Canal de Suez, a última rota de exportação segura para o petróleo saudita.

O governo egípcio informou na quinta-feira que uma investigação inicial apontou que um drone não identificado causou um incêndio na quarta-feira em duas embarcações no porto de Damietta, próximo ao Canal de Suez, que liga o Mediterrâneo ao Mar Vermelho.

Nenhum grupo reivindicou a autoria do ataque, disse o gabinete, acrescentando que as autoridades estão tomando medidas para proteger a segurança nacional do Egito.

Fontes do setor familiarizadas com o incidente disseram que o drone atingiu o navio-tanque de armazenamento de gás Energos Winter, de propriedade americana, causando um incêndio que se alastrou para outra embarcação.

Durante a noite, os militares dos EUA disseram ter atacado centros de comando militar e instalações de drones da Guarda Revolucionária do Irã, depois que Teerã disparou contra forças americanas na região.

A mídia estatal iraniana, citando a Guarda Revolucionária, afirmou que três civis foram mortos e duas crianças ficaram feridas em ataques dos EUA na ilha de Qeshm, enquanto três membros da Guarda Revolucionária foram mortos na província de Zanjan.

O governador da província de Khuzistão, citado pela mídia estatal iraniana, afirmou que dois complexos de dormitórios estudantis na cidade de Ahvaz, no sudoeste do país, foram danificados nos ataques ocorridos durante a noite.

A Guarda Revolucionária Islâmica afirmou ter atacado a base de Azraq, administrada pelos EUA, na Jordânia, em resposta aos ataques americanos.

“Com a ajuda de Deus, o agressor será punido hoje”, afirmou anteriormente em um comunicado divulgado pela mídia estatal.

O Pentágono não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre os danos na base de Azraq.

As bases americanas na Jordânia tornaram-se recentemente alvos prioritários do Irã. As forças armadas jordanianas afirmaram na quinta-feira que interceptaram cinco mísseis iranianos.

Um ataque iraniano também atingiu um prédio pertencente a uma empresa chinesa no norte do Kuwait, matando um trabalhador e causando danos significativos, informou o Ministério da Defesa do Kuwait.

Árabes se unem aos ataques dos EUA

Pela primeira vez nos cinco meses de guerra, a Arábia Saudita juntou-se publicamente, na quarta-feira, aos ataques ao lado das forças americanas contra grupos alinhados ao Irã no leste do Iraque, em retaliação aos ataques com drones contra alvos petrolíferos sauditas, lançados do Iraque.

Após os ataques conjuntos, o ministro da Defesa da Arábia Saudita se reuniu com o vice-presidente JD Vance em Washington na quarta-feira para instar o governo Trump a não intensificar ainda mais o conflito, disseram duas fontes à Reuters.

A guerra começou em fevereiro, quando os EUA e Israel lançaram uma campanha de bombardeio no Irã que, segundo o presidente Donald Trump, duraria apenas algumas semanas. Um acordo de cessar-fogo temporário, firmado em junho, fracassou em meio à retomada dos combates pelo Estreito de Ormuz, uma via navegável crucial que o Irã afirma controlar.

Os mais recentes ataques no Iraque e no Egito ameaçaram arrastar mais países do Oriente Médio para o conflito, depois que os houthis, alinhados ao Irã, no Iêmen, declararam um bloqueio naval na semana passada contra a Arábia Saudita, ameaçando a rota alternativa do Mar Vermelho para o transporte de petróleo para a Ásia.

Os ataques a navios perpetrados pelos militantes Houthi levaram o mercado de seguros marítimos de Londres a ampliar sua zona de “alto risco” no Mar Vermelho, de modo a incluir uma área maior do litoral adjacente aos portos da Arábia Saudita.

Trump afirmou que puniria duramente o Irã por disparar mísseis contra as forças americanas, mas que Washington também continuava buscando um acordo de paz para pôr fim a um conflito que tem abalado os mercados globais de energia e finanças.

Os preços do petróleo subiram mais de 8% na quarta-feira, antes de recuarem 1% na quinta-feira em um pregão volátil, com o petróleo Brent, referência internacional, sendo negociado pouco abaixo da marca de US$ 90.

O Irã controla hidrovia crucial para a navegação

O Irã afirmou na quarta-feira ter atacado três petroleiros que tentavam atravessar o Estreito de Ormuz por uma rota não autorizada.

No entanto, um navio-tanque de gás natural liquefeito controlado pela QatarEnergy saiu do estreito durante a noite, sendo o primeiro navio desse tipo registrado pelos dados de rastreamento de embarcações a deixar a hidrovia desde 11 de julho. A agência de notícias semioficial iraniana Fars afirmou que Teerã havia autorizado a passagem do navio-tanque.

Omã apresentou ao Irã um plano apoiado pelos estados do Golfo para administrar o Estreito de Ormuz, incluindo a cobrança de taxas voluntárias pelo seu uso, disseram fontes à Reuters na terça-feira.

Teerã rejeitou a proposta de Omã na quarta-feira, mas a agência de notícias semioficial iraniana ILNA citou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país, Esmaeil Baghaei, dizendo que as negociações com Omã sobre o Estreito de Ormuz continuavam.

Após a guerra ter exposto as lacunas na capacidade do Irã de proteger instalações militares e infraestrutura estratégica, esperava-se que Teerã recebesse, dentro de algumas semanas, o primeiro lote de até 400 lançadores de mísseis antiaéreos portáteis de fabricação chinesa, segundo três fontes familiarizadas com o acordo disseram à Reuters. O Ministério das Relações Exteriores do Irã não respondeu imediatamente a um pedido de comentário, enquanto o Ministério das Relações Exteriores da China negou a informação.

Matéria publicada na Reuters, no dia 30/07/2026, às 00:30 (horário de Brasília)