A AIE prevê a possibilidade de estoques criticamente baixos antes do pico da demanda de verão
Os estoques globais de petróleo podem atingir níveis críticos antes do pico da demanda de verão, caso a redução dos estoques continue no ritmo atual, afirmou nesta terça-feira o chefe da divisão de indústria e mercados de petróleo da Agência Internacional de Energia.
A demanda por combustível normalmente atinge o pico no verão do Hemisfério Norte, quando as pessoas viajam de carro e avião nas férias.
“Estamos vendo uma redução contínua dos estoques durante o verão, com a possibilidade ou probabilidade de atingirmos níveis críticos ou mínimos históricos pouco antes do pico da demanda de verão”, disse Toril Bosoni.
Segundo Bosoni, na Conferência de Petróleo e Gás do Oriente Médio da S&P Global Energy, em Londres, a reabertura do Estreito de Ormuz poderia levar de seis a oito meses, na melhor das hipóteses, caso um acordo fosse alcançado hoje.
Isso poderia viabilizar uma nova liberação emergencial de estoques coordenada pela AIE (Agência Internacional de Energia), mas essa possibilidade não está sendo discutida no momento, já que cerca de metade da liberação inicial coordenada de 400 milhões de barris, iniciada em março, ainda não chegou ao mercado, acrescentou ela.
“Em qualquer caso, a liberação emergencial de estoques é apenas uma medida paliativa temporária; não vai resolver este problema. A escala das perdas de oferta é tão grande que a redução teria que vir do lado da demanda”, disse Bosoni.
A destruição da demanda ocorre quando os preços altos forçam os consumidores a reduzirem as compras até que a oferta e a demanda estejam mais equilibradas.
A AIE (Agência Internacional de Energia) está observando preços mais altos e perspectivas econômicas mais fracas, o que se traduz em menor demanda por combustíveis para transporte, disse Bosoni, acrescentando: “Os maiores fatores de ajuste que vimos nos mercados vieram do lado da demanda”.
As importações chinesas de petróleo bruto foram 6 milhões de barris por dia menores em maio em comparação com março, o que havia sido um fator de equilíbrio nos mercados e explica os preços mais fracos apesar do fechamento do Estreito de Ormuz.
Às 11:39 de terça-feira, os contratos futuros do Brent estavam sendo negociados pouco abaixo de US$ 94 por barril, entre o nível pré-guerra de cerca de US$ 70, mas longe da máxima de 2026, superior a US$ 126.
Os produtores de petróleo do Golfo perderam cerca de 14 milhões de barris por dia de fornecimento desde o final de fevereiro, segundo a AIE (Agência Internacional de Energia).
Entretanto, os produtores das Américas aumentaram a oferta, com os Estados Unidos, a Argentina, o Brasil e a Venezuela surpreendendo positivamente.
A Agência Internacional de Energia (IEA) prevê um crescimento da oferta nas Américas de 1,5 milhão de barris por dia em 2026, segundo seu último relatório mensal sobre o mercado de petróleo, um aumento de 600 mil barris por dia em relação ao início de 2026. Mas esses ganhos representam apenas uma “compensação marginal” para os volumes perdidos para o mercado global a leste de Suez, afirmou Bosoni.
Matéria publicada na Reuters, no dia 02/06/2026, às 03:55 (horário de Brasília)
