A Rússia bombardeia Kyiv em um grande ataque, deixando pelo menos 18 mortos
A Rússia lançou centenas de drones e dezenas de mísseis contra Kiev, capital da Ucrânia, na madrugada desta quinta-feira, destruindo vários prédios residenciais, matando pelo menos 18 pessoas e ferindo dezenas.
Múltiplas explosões sacudiram o centro de Kiev e reverberaram por toda a capital durante a noite, enquanto milhares de moradores corriam para abrigos antiaéreos e estações de metrô.
O ataque causou a maior destruição em Kiev até agora neste ano e foi o mais mortal desde pelo menos maio, quando 24 pessoas foram mortas em um ataque que derrubou um prédio de apartamentos.
O presidente Volodymyr Zelenskiy, que interrompeu uma visita à Irlanda para retornar rapidamente ao país, afirmou que foram relatados danos em mais de 20 locais na capital.
“O ataque principal teve como alvo Kiev”, disse ele. “O fornecimento de equipamentos de defesa aérea para a Ucrânia é uma prioridade absoluta e crucial”, afirmou, instando os aliados da Ucrânia a manterem as contribuições para um fundo destinado à compra de armas americanas, incluindo mísseis de defesa aérea Patriot, para a Ucrânia.
A Rússia lançou 74 mísseis e 496 drones durante a noite, informou a Força Aérea Ucraniana. Yuri Ihnat, porta-voz da Força Aérea, afirmou que o número de mísseis balísticos foi excepcionalmente alto e a taxa de interceptação, baixa. A Ucrânia tem enfrentado escassez de mísseis Patriot nos últimos meses.
O Ministério da Defesa russo, em uma publicação no Telegram, afirmou que seu “ataque maciço”, utilizando armas de longo alcance e alta precisão lançadas do ar, da terra e do mar, além de drones, atingiu instalações militares e de energia, bem como aeroportos em Kiev e outras localidades.
Moscou afirmou que os ataques foram uma retaliação aos ataques de drones ucranianos contra a Rússia. Kiev, que intensificou os ataques nas últimas semanas contra o fornecimento interno de combustível da Rússia, disse ter atingido uma refinaria de petróleo durante a noite na região russa de Nizhny Novgorod, onde o governador relatou uma morte em um ataque a uma instalação industrial.
O Kremlin afirmou que comandantes militares russos informaram o presidente Vladimir Putin sobre os ataques russos, acrescentando que Moscou continuará a aumentar a pressão sobre a Ucrânia para alcançar seus objetivos de guerra.
Dia de luto anunciado em Kyiv
O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, anunciou um dia de luto na cidade para sexta-feira. Ele afirmou que foram registrados danos em toda a cidade, que tem cerca de 3 milhões de habitantes, com alguns prédios gravemente danificados.
Katarina Mathernova, embaixadora da UE na Ucrânia, afirmou que “a Rússia desencadeou o inferno em Kiev” durante a noite e atingiu as acomodações usadas por diplomatas. Os diplomatas saíram ilesos, mas seus pertences foram danificados no incêndio que consumiu o prédio, disse ela.
Os serviços de emergência vasculhavam os escombros do que antes era um prédio de nove andares na margem esquerda do rio Dnipro, que divide a cidade, enquanto o sol nascia e incêndios irrompiam ao redor.
Autoridades municipais disseram que mais de 90 pessoas, incluindo crianças, paramédicos e motoristas de uma estação de ambulâncias, ficaram feridas e que algumas pessoas ainda estavam presas dentro de prédios residenciais danificados.
“Nossa casa está pegando fogo. Oleg estava tirando nosso vizinho da casa em chamas enquanto eu ligava para todos os serviços de emergência durante as explosões”, disse Iryna Plekhova, moradora de Kiev, no Facebook, publicando uma foto de um prédio de apartamentos semidestruído e sem janelas.
“Não temos mais um apartamento.”
O Instituto Nacional de Bioquímica estava entre os muitos edifícios danificados: seu laboratório de bioquímica de última geração e outros escritórios foram destruídos durante o ataque.
“Isto é uma catástrofe para a ciência médica e biológica da Ucrânia”, disse o biólogo Yurii Danylovych à Reuters, acrescentando que o laboratório abrigava equipamentos raros.
A Polônia, vizinha da Ucrânia e membro da OTAN e da UE, enviou brevemente caças como medida preventiva. A Finlândia também decretou, por um curto período, uma zona de restrição de voo temporária no leste do Golfo da Finlândia, segundo suas forças de defesa.
É necessária mais pressão sobre a Rússia
Após anos em que a Ucrânia sofreu com os implacáveis ataques de longo alcance da Rússia, Kiev intensificou seus próprios ataques em território russo nos últimos meses, atingindo principalmente alvos relacionados à energia. Isso desencadeou uma crise de combustível na Rússia, forçando o terceiro maior produtor de petróleo do mundo a importar gasolina de lugares tão distantes quanto a Índia.
A Rússia respondeu com uma intensificação da campanha aérea contra cidades ucranianas, atingindo no mês passado uma catedral milenar em Kiev, fundamental para a fé ortodoxa em ambos os países.
Kaja Kallas, chefe da diplomacia da UE, afirmou que somente o apoio militar contínuo à Ucrânia e o aumento da pressão sobre Moscou poderiam ajudar a impedir os ataques russos.
“Hoje, vou propor sanções a mais entidades que apoiam o complexo militar-industrial da Rússia em resposta aos ataques”, disse ela em uma publicação no X. “Quanto mais Moscou atacar civis, mais sanções deverão ser impostas.”
Zelensky propôs negociações com Putin para pôr fim à guerra que já dura mais de quatro anos, proposta que o líder do Kremlin rejeitou.
Desde que iniciou a invasão em larga escala da Ucrânia em fevereiro de 2022, a Rússia matou milhares de civis ucranianos em ataques contra Kiev e outras cidades da Ucrânia.
Moscou nega atacar civis intencionalmente, mas afirma que os ataques ao que descreve como infraestrutura civil são legítimos porque prejudicam a capacidade da Ucrânia de travar guerra.
Kiev também lançou ataques contra a Rússia e a Ucrânia ocupada pela Rússia, em uma escala muito menor.
Matéria publicada na Reuters, no dia 01/07/2026, às 16:02 (horário de Brasília)