Alguns dirigentes do Fed defenderam alta de juros em meio a preocupações com inflação, mostra ata
Autoridades do Federal Reserve expressaram preocupação crescente com a inflação elevada durante a reunião de 16 e 17 de junho, com alguns participantes defendendo um aumento imediato das taxas de juros, de acordo com a ata do Fomc divulgada na quarta-feira.
A ata mostrou que a inflação permaneceu como principal preocupação das autoridades. Todos os participantes, no entanto, apoiaram a manutenção da taxa de juros de referência na faixa de 3,50% a 3,75%.
A maioria das autoridades apontou cenários em que a inflação poderia permanecer elevada devido a fatores como a demanda relacionada à inteligência artificial, o conflito no Oriente Médio ou tarifas. Quase todos esses participantes indicaram que algum aperto na política monetária provavelmente seria necessário caso a inflação se mantivesse alta.
O debate mais amplo pareceu dividido de forma equilibrada. A maioria dos participantes vislumbrou cenários em que a inflação recuaria em direção à meta de 2% do Fed por conta própria, mas a maioria também identificou situações em que ela permaneceria elevada.
Os participantes avaliaram, de forma geral, que os riscos de alta para a estabilidade de preços continuavam elevados, enquanto os riscos de queda para o pleno emprego haviam se moderado um pouco, segundo a ata.
A equipe técnica do Fed elevou sua projeção de inflação para 2026 e 2027 em relação à estimativa de abril, refletindo a guerra no Oriente Médio e os efeitos da expansão da infraestrutura de inteligência artificial. A perspectiva de crescimento do PIB elaborada pela equipe ficou ligeiramente abaixo da previsão de abril.
A reunião marcou a primeira presidida por Kevin Warsh como chefe do Fed. As autoridades também consideraram sua proposta de encerrar o chamado “forward guidance” — a prática de sinalizar antecipadamente os rumos da política monetária — e de reduzir os comentários sobre futuras decisões de juros nos comunicados oficiais.
A maioria dos participantes viu vantagens em encurtar o comunicado de política monetária. A maior parte preferiu não repetir a linguagem anterior que sugeria uma tendência de afrouxamento monetário.
As novas projeções da reunião de junho mostraram que nove dos 18 dirigentes esperavam que as taxas ficassem ligeiramente mais altas até o final de 2026.
Matéria publicada no portal Investing, no dia 08/07/2026, às 15:10 (horário de Brasília)

