Choque do diesel reaquece campanha de produtores pelo aumento do biodiesel

Produtores de biodiesel voltaram a defender nesta sexta (18/9) que o governo federal eleve a mistura de biodiesel ao diesel dos atuais 15% para 17%, como uma forma de reduzir a exposição do mercado doméstico à dependência de combustível importado.

Ao mesmo tempo, o setor também inciou uma campanha para incentivar o uso voluntário por frotistas, especialmente na região Sul do país, onde a restrição de volumes de diesel começa a pressionar o abastecimento na abertura do plantio da safra de verão.

Diferente do uso obrigatório, que depende de decisão política, o voluntário já está liberado em uma série de situações, dependendo apenas de uma comunicação formal à ANP.

“Neste momento, nosso objetivo é estimular o uso voluntário conforme já liberado pela ANP enquanto esperamos a evolução da análise conduzida pelo governo federal para ampliação da mistura obrigatória”, afirma Jerônimo Goergen, presidente da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio).

“No caso do Rio Grande do Sul, que vive uma situação de desabastecimento em razão da crise e da dependência do diesel importado, estamos atuando em conjunto com a Famurs (Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul) e o governo estadual para apoiar a transição energética e o uso voluntário no setor público”, conta.

Segundo Goergen, já existem experiências de uso voluntário acima do obrigatório nas prefeituras de Porto Alegre e de Passo Fundo (RS), e o objetivo é ampliar para todo o país.

“Somos 59 usinas em 14 estados diferentes”, destaca em comentário enviado à agência eixos.

A cadeia de comercialização de diesel enfrenta problemas no Brasil em setembro, com um aperto no abastecimento no início do plantio da safra. O impacto é sentido sobretudo no Rio Grande do Sul, mesma região que registrou problemas em abril.

O cenário é consequência da queda nas importações pela Petrobras, em meio à disparada dos preços internacionais, somada à demora na regulamentação do subsídio adicional de R$ 1 por litro do diesel anunciado na semana passada.

Globalmente, período de maior demanda de diesel também está começando esta semana, com os piores indicadores para o suprimento em pelo menos uma década.

O final de setembro marca a chegada do outono no Hemisfério Norte — e o aumento do uso de combustível para aquecimento —, além do início do plantio da safra em diversos países, incluindo o Brasil.

Mas este ano esse período de maior consumo chega após meses de estresse no mercado global, com diversas refinarias do Oriente Médio e da Rússia impedidas de exportar ou operar devido às guerras.

As exportações globais de diesel em agosto ficaram em apenas 5,85 milhões de barris/dia, queda de 25% na comparação anual, segundo dados da S&P Global Energy.

Para a Aprobio, o Brasil enfrenta uma vulnerabilidade energética significativa ao importar grande parte do combustível, principalmente dos Estados Unidos, o que gera riscos de desabastecimento, ao mesmo tempo em que o governo precisa recorrer a subsídios para mitigar a alta nos preços do petróleo.

A associação defende que o governo federal pode solicitar os laudos técnicos dos testes já realizados e promover uma reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) para deliberar sobre o B17.

“Outro caminho para reduzir os riscos é que o governo federal avance na ampliação do uso do biodiesel com a a implementação imediata do B17, elevando a mistura para reduzir a dependência internacional nacional como parte da solução”, destaca Goergen.

“Nesse sentido, o setor está mobilizando recursos e esforços para os testes de ampliação de mistura sejam acelerados para suportar a decisão”.

Dados da associação apontam que, em setembro, o Brasil deve importar cerca de 838 mil m³ de diesel, sendo aproximadamente 80% do volume de origem dos Estados Unidos.

Ao ampliar a mistura de B15 para B17, a Aprobio aponta que seriam adicionados cerca de 125 mil m³/mês de biodiesel nacional, o que permite deixar de importar entre 3 a 4 navios de diesel por mês, dos mais de 20 atuais.

Conslusão dos testes em fevereiro de 2027

Condição para aumentar a mistura obrigatória de biodiesel no diesel, os testes de teores até 20% (B20) devem ser concluídos em fevereiro de 2027.

Atualmente, o teor obrigatório de biodiesel é de 15% (B15). A lei do Combustível do Futuro propõe o aumento progressivo da mistura de biodiesel em 1% até chegar a 20% (B20) em 2030.

A meta era avançar para 16% em março deste ano, entretanto, a demora na realização das análises levou o governo a segurar o cronograma.

O Ministério de Minas e Energia (MME) dividiu os testes em duas etapas: misturas acima dos 15% já validados até o percentual de 20%; e teores até o B25.

Para os produtores de biodiesel, no entanto, o cronograma está aquém das expectativas e o país já poderia adotar 17% de mistura.

Matéria publicada no portal da Fecombustíveis, no dia 21/09/2026, às 06:00 (horário de Brasília)