Estados Unidos e Irã se aproximam de um acordo, embora ainda existam divergências sobre urânio e sanções.

Autoridades americanas disseram a jornalistas que nada está pronto para ser assinado, pois os negociadores estão trabalhando na redação precisa de questões-chave, e a aprovação final ainda pode levar vários dias. Donald Trump insistiu que não se “apressaria” a fechar um acordo.

Autoridades americanas disseram a jornalistas que nada está pronto para ser assinado, pois os negociadores estão trabalhando na redação precisa de questões-chave, e a aprovação final ainda pode levar vários dias.

A agência de notícias semioficial iraniana Tasnim afirmou que o projeto de acordo ainda pode fracassar porque os EUA estão bloqueando várias cláusulas, incluindo a exigência de Teerã de que seus ativos sejam descongelados.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que o sistema iraniano leva um certo tempo para responder aos Estados Unidos. Ele acrescentou estar “muito confiante” de que, se um acordo fosse alcançado, seria um bom acordo, e que um acordo é a preferência de Trump em vez de alternativas para lidar com a ameaça iraniana — falando cerca de três meses depois de Israel e os EUA atacarem Teerã, dando início à guerra.

“Pensávamos que poderíamos ter alguma novidade ontem à noite. Talvez hoje”, disse Rubio a repórteres em Nova Déli, na segunda-feira, durante uma visita à Índia.

O petróleo bruto caiu para o menor nível em mais de duas semanas com a abertura dos negócios na Ásia nesta segunda-feira, e o dólar se desvalorizou em meio às expectativas de um acordo próximo. O Brent, referência global para o petróleo bruto, ampliou a queda após os comentários de Rubio e era negociado com recuo de cerca de 6%.

Instigados por diversos líderes árabes, os EUA e o Irã têm discutido uma possível prorrogação de um frágil cessar-fogo, mas ambos os lados apresentaram descrições diferentes do que um acordo provisório incluiria. Os países apresentaram diversas propostas nas últimas semanas, sem, contudo, chegar a um consenso.

“Nossa relação com o Irã está se tornando muito mais profissional e produtiva”, escreveu Trump no domingo em uma publicação nas redes sociais. “Eles precisam entender, no entanto, que não podem desenvolver ou adquirir uma arma ou bomba nuclear.” Ele acrescentou que o bloqueio americano do estreito permanecerá em vigor até que um acordo seja concluído e que ambos os lados precisam de tempo para “fazer tudo certo”.

Ainda assim, o amplo acordo descrito por autoridades americanas não aborda o arsenal de mísseis do Irã nem contém uma proibição explícita ao enriquecimento de urânio — dois dos objetivos mais importantes de Trump. Isso pode enfurecer os republicanos defensores de uma linha dura em segurança nacional, que já se opuseram veementemente às negociações.

A mídia e as autoridades iranianas também têm se mostrado mais cautelosas. Washington e Teerã ainda divergem sobre “uma ou duas cláusulas”, informou a agência de notícias semioficial Tasnim, citando uma “fonte bem-informada”. A agência Fars, por sua vez, descartou as afirmações de Trump no sábado de que um acordo já havia sido “amplamente negociado”, classificando-as como “muito distantes da realidade”, sem citar nenhuma fonte.

O programa nuclear iraniano continua sendo um ponto central de discórdia, particularmente a insistência de Teerã em afirmar que não busca desenvolver uma arma nuclear.

“Estamos prontos para assegurar ao mundo, durante quaisquer negociações, que não buscamos armas nucleares”, afirmou o presidente iraniano Masoud Pezeshkian, citado pela Student News Network no domingo. Ele acrescentou que o Irã “não busca instabilidade na região”.

Os EUA planejam suspender o bloqueio como parte do acordo proposto, e o Irã concordou em princípio em se desfazer de seu urânio altamente enriquecido, disse um funcionário do governo Trump a repórteres. O funcionário acrescentou que os EUA não planejam descongelar os ativos iranianos sob a proposta atual.

Qualquer alívio das sanções dependerá de como Teerã cumprir as várias disposições do acordo, disseram autoridades, acrescentando que o cronograma para o descarte do urânio altamente enriquecido pelo Irã e uma moratória sobre o enriquecimento serão negociados posteriormente.

Autoridades americanas disseram esperar um compromisso substancial do Irã de renunciar ao enriquecimento de urânio como parte de qualquer acordo final, acrescentando que Washington acredita que pode, em última instância, negociar um mecanismo eficaz para garantir que o Irã não obtenha uma arma nuclear, ao mesmo tempo que promove uma relação bilateral mais produtiva.

O Irã não confirmou nenhum desses detalhes e deixou claro que pretende preservar seu estoque de urânio.

Segundo o Axios, o pacto envolveria uma prorrogação de 60 dias do cessar-fogo existente, período durante o qual o estreito seria reaberto e o Irã teria permissão para vender seu petróleo.

O rascunho também estipulava o fim da guerra paralela entre Israel e o Hezbollah, apoiado pelo Irã, no Líbano — uma medida que Israel pode relutar em apoiar.

Aqui está mais informação sobre a guerra com o Irã:

  • Vários republicanos compararam o suposto acordo desfavoravelmente ao acordo com o Irã firmado em 2015 pelo presidente Barack Obama. Trump rejeitou essa ideia no domingo.
  • O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou em uma publicação no X que conversou com Trump sobre as negociações entre os EUA e o Irã e reiterou que a ameaça de armas nucleares iranianas deve ser eliminada como parte de qualquer acordo final.
  • No sábado, Trump afirmou que um acordo para encerrar a guerra entre EUA e Israel contra o Irã estava próximo de ser concluído e que o Estreito de Ormuz poderia ser reaberto. Mas ele também enfrentava forte resistência de aliados políticos que queriam que ele reiniciasse a campanha militar.
  • Antes da publicação de Trump no sábado, o senador Roger Wicker, presidente do Comitê de Serviços Armados do Senado, escreveu nas redes sociais que um novo cessar-fogo “seria um desastre. Tudo o que foi conquistado pela Operação Fúria Épica teria sido em vão!”

Matéria publicada na Bloomberg, no dia 24/05/2026, às 11:16 (horário de Brasília)