Governo anuncia avanço para fase de testes na mistura do diesel

A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia) ao Instituto Mauá de Tecnologia, em São Paulo, nesta 2ª feira (13.jul.2026), marca o início da fase operacional do Programa Nacional de Testes de Biodiesel. A organização é responsável pelos testes que avaliam o avanço de misturas de biodiesel no diesel fóssil de 16% (B16) a 25% (B25).

Atualmente, o Brasil adota o teor de 15% (B15) como percentual mínimo obrigatório de diesel comercializado no país. O processo para o aumento da mistura do diesel entra agora em fase de testes, conforme cronograma estabelecido pelo MME (Ministério de Minas e Energia). Na 1ª fase, serão avaliadas misturas de B15 a B20. Já a 2ª etapa analisará percentuais de até B25.

“O Instituto Mauá tem a responsabilidade de acelerar o processo desses testes. Nós não podemos avançar sem que esses testes sejam feitos de forma segura, para que a gente garanta a estabilidade e a segurança da motorização no uso desse [biodiesel] que é o patrimônio do Brasil”, disse Silveira durante discurso após a visita.

Os estudos são exigidos pela Lei do Combustível do Futuro, que estabelece avanço gradual dos teores de etanol e biodiesel nos combustíveis fósseis, mediante comprovação de viabilidade técnica.

O governo só pode aprovar o aumento após a finalização dos testes. Para ser oficializada, a medida depende de deliberação do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética). A projeção é que fiquem prontos até o final do ano, mas integrantes do governo ouvidos pelo Poder360 afirmaram que a aprovação de algum tipo de aumento no conselho deve ficar para 2027.

Ao discursar no evento, Lula defendeu o avanço para misturas superiores ao B15 e disse que o Brasil deve se preparar para abandonar gradualmente os combustíveis fósseis ao longo dos próximos anos.

“O Brasil não precisa morrer por conta do petróleo. A gente pode se livrar do combustível fóssil com o tempo. A gente não vai jogar fora porque é uma riqueza desse país, mas a gente pode ir preparando a sociedade para viver com o combustível renovável”, declarou Lula no evento.

Também participaram da visita o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), ministro Guilherme Boulos (Secretaria Geral) e o presidente do BNDES, Aloízio Mercadante.

Testes do biodiesel

O governo desenvolveu uma rede nacional de pesquisa para avaliar a viabilidade técnica da ampliação das misturas de biocombustíveis. A iniciativa conta com investimento de R$ 30 milhões ao longo de 3 anos e participação do MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação), da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) e de universidades e centros de pesquisa.

Os recursos serão destinados à realização de testes laboratoriais, análises em motores e veículos e estudos sobre qualidade, desempenho, eficiência energética e emissões dos combustíveis. Participam dessa etapa 12 laboratórios mecânicos e 6 laboratórios físico-químicos.

O principal objetivo é assegurar que maiores proporções de biodiesel não causem falhas mecânicas ou reduzam o desempenho dos veículos.

Pressão do setor

Durante a visita ao Instituto Mauá, o setor de biocombustíveis entregou a Lula uma carta em que cobra o avanço da mistura obrigatória do biodiesel no diesel de 15% (B15) para 17% (B17).

No texto, as associações do setor defendem que o governo avance direto para o B17. Afirmam que o país já reúne condições técnicas e econômicas para o aumento de 2 pontos percentuais na mistura do diesel.

O documento justifica ainda o avanço imediato da mistura como instrumento para reduzir a dependência da importação de combustíveis, sobretudo em períodos de instabilidade internacional como a guerra do Irã –em linha com o discurso de soberania energética defendido por Lula e Silveira.

Congressistas, associações, empresas e executivos ligados ao segmento de biocombustíveis aumentaram nos últimos meses a pressão pelo avanço imediato da mistura do etanol na gasolina e do biodiesel no diesel.

A discussão ganhou ainda mais força depois dos impactos da guerra do Oriente Médio no mercado nacional.

O avanço da mistura beneficia diretamente o setor, que ampliará sua participação no mercado nacional de combustíveis com a demanda criada pelo aumento do teor obrigatório. Também interessa a uma parcela do agronegócio, já que a maior parte do volume de biocombustíveis do país é produzida a partir de cana-de-açúcar, milho, óleo de soja e outros produtos agrícolas.

Matéria publicada na Bloomberg, no dia 13/07/2026, às 13:12 (horário de Brasília)