Governo ensaia estratégia para a eletromobilidade
Na pauta da reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) agendada para 2 de setembro, a criação do grupo de trabalho dedicado à eletromobilidade deve reunir pelo menos sete ministérios e três agências reguladoras, com a função de apresentar as bases para uma estratégia nacional.
A minuta de resolução do Ministério de Minas e Energia (MME) vista pelo eixos PRO indica um prazo de 120 dias, a contar da nomeação dos titulares, para o grupo apresentar um relatório com diagnóstico estratégico da eletromobilidade no Brasil; proposta de diretrizes para a estratégia nacional e recomendações de ajustes regulatórios. (E vale lembrar que em outubro tem eleição).
O GT chega em meio a um cenário de disputas tecnológicas e por mercado. Em junho, o Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex) decidiu renovar as cotas adicionais de importação com alíquota zero para veículos elétricos, pelo prazo de seis meses a contar de 1º de julho.
A medida, que deve beneficiar marcas chinesas, contrariou parte da indústria automotiva e levou a Anfavea a anunciar que entraria na Justiça contra a prorrogação. Semanas depois, a associação divulgou que levaria a questão ao Tribunal de Contas da União. (Valor)
Quem também costuma ter siricutico quando se fala em eletrificação é o setor de etanol, para quem o biocombustível é suficiente para atender as necessidades de descarbonização da frota e enxerga uma concorrência desleal, já que, muitas vezes, o impacto ambiental da fabricação dos veículos a bateria é desconsiderado.
A estratégia climática brasileira, por outro lado, aposta em ambas soluções como parte do pacote, ao lado de outros biocombustíveis do transporte pesado, como biodiesel e biometano.
A minuta de resolução que será levada ao CNPE propõe que o GT observe, na elaboração da estratégia nacional, “mecanismos para a integração sinérgica entre a eletrificação e o uso de biocombustíveis e demais combustíveis sustentáveis”.
Segundo o documento visto pela eixos, essa integração precisa considerar o mix tecnológico disponível no mercado de veículos, incluindo os híbridos e as vantagens competitivas nacionais.
Além dos biocombustíveis
Outros pontos no radar do futuro GT são expansão da infraestrutura de recarga e gerenciamento da demanda, sustentabilidade da cadeia de minerais críticos e insumos estratégicos para baterias, diretrizes para economia circular de baterias e fomento à indústria nacional.
A minuta de resolução também prevê interlocução com outros grupos de trabalho, inclusive o Comitê Técnico Permanente do Combustível do Futuro.
Historicamente, os biocombustíveis têm um peso relevante na economia e nas estratégias brasileiras para reduzir emissões e sua dependência de derivados de petróleo — vide o recente aumento do percentual de etanol na gasolina para 32%.
Mas também é inegável que a eletrificação chegou para ficar e já começou a vencer resistências e conquistar o consumidor.
De acordo com o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2035), a participação dos veículos leves eletrificados na frota total deve atingir aproximadamente 8% em 2035.
Esse aumento de participação vem acompanhado da demanda por um planejamento que vai desde a cadeia de minerais para fabricação de baterias, por exemplo, até as necessidades de infraestrutura de recarga.
Esse diagnóstico motivou a criação, em maio, do Departamento de Eletromobilidade vinculado à Secretaria Nacional de Transição Energética e Planejamento do MME.
Agora o ministério quer dar o pontapé em uma estratégia, que conversa também com discussões em andamento no setor elétrico sobre alocação dos custos de expansão e digitalização das redes de distribuição, por exemplo.
Avaliação dos efeitos da eletrificação da frota sobre a arrecadação tributária associada aos combustíveis e sobre a base de rateio dos encargos do setor elétrico é outro ponto indicado na minuta.
Além de diretrizes para incluir, no planejamento energético nacional, a demanda de eletricidade e os requisitos de infraestrutura decorrentes da eletrificação do setor de transportes.
Matéria publicada na agência Eixos, no dia 25/08/2026, às 19:22 (horário de Brasília)

