Irã estuda acordo para interromper guerra enquanto impasse persiste
O Irã está analisando uma proposta de acordo com os EUA para interromper a guerra, informou a mídia iraniana nesta terça-feira, após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que as negociações para chegar a um acordo continuam.
Mais de três meses após os EUA e Israel lançarem ataques contra o Irã, o conflito se transformou em um impasse, enquanto os esforços para negociar um acordo provisório se mostraram inconclusivos, deixando o Estreito de Ormuz praticamente fechado.
O Irã ainda não respondeu à proposta de texto final do acordo temporário e está adotando uma postura “severa”, considerando o que considera um histórico de descumprimento por parte dos EUA e uma desconfiança de longa data, segundo uma fonte citada pela agência de notícias Mehr.
Trump afirmou na segunda-feira que as negociações com o Irã continuavam e que haveria um acordo na próxima semana para estender o cessar-fogo acordado no início de abril e reabrir o Estreito de Ormuz.
Desde meados de março, Trump tem repetidamente afirmado estar perto de assinar um acordo de paz, embora qualquer acordo desse tipo adie questões espinhosas, incluindo o futuro do programa nuclear iraniano. Um cessar-fogo tem sido amplamente respeitado desde o início de abril, mas o Irã e os EUA trocaram ataques diversas vezes na última semana.
Os preços do petróleo caíram mais de 1% na terça-feira, reduzindo os fortes ganhos do dia anterior. Um alto funcionário da Agência Internacional de Energia alertou que os estoques globais de petróleo podem atingir níveis historicamente baixos.
Israel mantém greves no Líbano
A guerra que começou em 28 de fevereiro matou milhares de pessoas, principalmente no Irã e no Líbano. Ela causou prejuízos econômicos globais, elevando os preços da energia, uma vez que o Irã efetivamente fechou o Estreito de Ormuz, que antes transportava cerca de um quinto do fornecimento mundial de petróleo e gás natural liquefeito.
Isso também desencadeou a mais recente rodada de conflitos entre Israel e o grupo militante libanês Hezbollah, com Israel realizando sua incursão mais profunda no Líbano em 25 anos.
Na terça-feira, Israel manteve os ataques a uma série de cidades no sul do Líbano, disseram fontes de segurança libanesas, um dia depois de a mediação dos EUA aparentemente ter evitado uma escalada imediata da guerra.
Um cessar-fogo parcial anunciado pelo Líbano na segunda-feira implicaria que Israel se abstivesse de atacar Beirute e os subúrbios do sul da capital libanesa controlados pelo Hezbollah, enquanto o grupo alinhado ao Irã suspenderia seus ataques contra Israel.
Mas o anúncio não conseguiu tranquilizar muitos libaneses, dos quais 1,2 milhão foram deslocados, e o ruído de um drone israelense sobre Beirute manteve os moradores apreensivos na terça-feira.
“Toda vez que voltamos para nossas casas, há um aviso de que seremos deslocados novamente”, disse Faten Al Chehime, que fugiu para um campo de deslocados de sua casa nos subúrbios do sul de Beirute na segunda-feira, apenas duas semanas depois de retornar para lá.
O Líbano afirmou que buscará ampliar o cessar-fogo em negociações com Israel em Washington, na quarta-feira.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, enfrenta críticas internas por qualquer acordo para suspender novos ataques a Beirute, às vésperas das eleições deste ano, nas quais ele deve ser derrotado.
Irã pressiona por acordo limitado
No contexto mais amplo do conflito, o Irã está pressionando por um acordo provisório limitado, numa tentativa de aliviar a crescente pressão econômica e, ao mesmo tempo, evitar grandes concessões em seu programa nuclear, segundo fontes iranianas.
Como parte de qualquer acordo, Teerã busca o fim das hostilidades em todas as frentes, incluindo o Líbano, acesso a bilhões de dólares em receitas petrolíferas, isenções sobre as exportações de petróleo bruto, o levantamento do bloqueio americano aos seus portos e a manutenção da influência sobre o Estreito de Ormuz.
Trump está sob pressão para reabrir o estreito e conter os preços dos combustíveis nos EUA, sem fazer concessões ao Irã.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, unidade de elite, informou na terça-feira que 24 embarcações transitaram pelo estreito nas últimas 24 horas, após obterem autorização da Marinha da Guarda.
O Irã ameaçou na segunda-feira expandir seu bloqueio ao Estreito de Bab El Mandeb, outro ponto de estrangulamento na entrada do Mar Vermelho, caso Israel retome os ataques a Beirute.
Destacando os riscos no mar, o maior grupo de transporte marítimo do mundo, a MSC, informou na terça-feira que uma de suas embarcações foi atingida por dois projéteis enquanto estava no porto de Umm Qasr, no Iraque, no dia anterior.
A Guarda Revolucionária do Irã reivindicou a autoria do ataque, afirmando que foi uma retaliação a um ataque dos EUA contra uma embarcação iraniana no Golfo de Omã.
Matéria publicada na Reuters, no dia 02/06/2026, às 05:21 (horário de Brasília)