O Brent atinge a maior cotação em cinco meses, com ataques a navios e instalações sauditas alimentando preocupações com o abastecimento
O petróleo subiu nesta terça-feira, com o Brent atingindo a maior cotação em cinco meses, à medida que os investidores precificavam um prêmio de risco geopolítico devido aos ataques dos houthis à infraestrutura saudita e a relatos de ataques a embarcações no Golfo.
Os houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, disseram na segunda-feira que lançaram vários ataques contra alvos sauditas de energia, aeroportos e militares, como a Aramco em Yanbu, o campo petrolífero de Shaybah, o Aeroporto Internacional Rei Khalid de Riade e o aeroporto de Abha.
As autoridades sauditas não confirmaram imediatamente as alegações dos houthis e a Reuters não conseguiu verificá-las de forma independente.
Os contratos futuros do petróleo Brent subiram para US$ 111,75 o barril, o maior valor desde maio, e às 08:20 (horário de Brasília) estavam sendo negociados a US$ 111,20, alta de US$ 1,65 ou 1,5%.
O contrato de novembro do petróleo bruto West Texas Intermediate dos EUA, que expira na terça-feira, chegou a atingir US$ 110, o maior valor desde abril para um contrato com vencimento próximo, e estava sendo negociado a US$ 109,08, alta de US$ 5,42 ou 5,2%.
“Os preços do petróleo permanecem bem sustentados… Isso sugere que o mercado está precificando um prêmio de risco significativo, dada a volatilidade da situação”, disseram analistas do ING em nota divulgada na terça-feira.
“Contudo, se os fluxos continuarem sem restrições, apesar do ambiente geopolítico, o prêmio de risco provavelmente se reduzirá lentamente. Claramente, ainda não há sinais disso.”
Pelo menos 18 embarcações teriam sido atacadas ao longo de duas semanas, o que mantém o prêmio de risco intacto, afirmou a empresa de rastreamento de navios Kpler em um comunicado na segunda-feira.
Também na segunda-feira, um ataque dos Houthis a um campo de treinamento das forças de segurança do governo na província de Shabwa, no Iêmen, matou 58 pessoas e feriu mais de 200.
Os ataques renovados aumentaram os temores sobre a estabilidade regional e ressaltaram os riscos contínuos ao fornecimento de energia da região, mantendo os preços do petróleo acima de US$ 100 por barril.
Nos EUA, analistas previam que os estoques de petróleo bruto tivessem caído na semana passada, juntamente com os estoques de derivados, segundo uma pesquisa preliminar da Reuters divulgada nesta segunda-feira.
Matéria publicada na Reuters, no dia 20/10/2026, às 00:00 (horário de Brasília)
