O CEO da Vitol afirma que cerca de 14 milhões de barris por dia estão saindo do Oriente Médio

Cerca de 12 milhões de barris por dia de petróleo bruto e 2 milhões de barris por dia de produtos refinados — volumes necessários para aliviar a pressão sobre os preços — deixaram o Oriente Médio em navios-tanque nos últimos 7 a 10 dias, disse nesta terça-feira o CEO da gigante de comércio de commodities Vitol.

Com os estoques no Ocidente praticamente esgotados, esse fluxo de 10 a 14 milhões de barris por dia está ajudando a manter os mercados de energia em equilíbrio durante o inverno, disse Russell Hardy no Fórum de Inteligência Energética em Londres.

“Sem isso, você teria o cenário de US$ 200 por barril, então é muito importante que continue”, disse ele.

O mercado global de petróleo demonstrou ser bastante resiliente ao acúmulo de interrupções deste ano, que começou como uma crise do petróleo bruto, depois se tornou uma crise de derivados e agora se transformou em uma crise de transporte marítimo, afirmou ele.

“Temos tido uma oscilação parabólica nos preços de frete, o que está gerando muito estresse para todos, porque ninguém sabe ao certo, com uma margem de erro de US$ 2 a US$ 4 por barril, quanto custará o frete”, disse ele.

A China foi um “pulmão” para o mercado de petróleo em maio e junho, acrescentou ele, pois conseguiu usar seus estoques de petróleo para abastecer seu sistema. Mas os países em desenvolvimento no restante da Ásia enfrentaram dificuldades, porque não tinham uma reserva e suas cadeias de suprimentos estão intimamente ligadas ao Oriente Médio.

Economia de combustível para entrar no inverno

A escassez nos mercados de produtos refinados deverá persistir durante o inverno, afirmou Hardy.

“O mundo ainda sofre com a falta de capacidade de refino, principalmente devido aos impactos na infraestrutura russa e à perda de cinco meses de operações de refino no Oriente Médio”, disse ele.

Na semana passada, o G7 concordou com a liberação coordenada de 100 milhões de barris de petróleo bruto e diesel de reservas estratégicas por meio da Agência Internacional de Energia para ajudar a aliviar a escassez após os EUA ameaçarem impor uma proibição de exportação.

A liberação do diesel trará algum alívio ao mercado europeu, disse Hardy, mas ainda é necessário esclarecer os volumes de petróleo bruto e diesel e de onde eles virão.

“Temos um efeito de preço e um mercado muito difícil, mas ninguém ficou sem diesel nos postos de gasolina na Europa”, disse ele. “Então, os governos estão tentando equilibrar, neste caso, Trump, a AIE (Agência Internacional de Energia), as necessidades de seus consumidores e a natureza estratégica dessas ações.”

Na terça-feira, os contratos futuros do petróleo Brent estavam sendo negociados em torno de US$ 98 por barril, enquanto o prêmio dos contratos futuros do diesel europeu em relação aos contratos futuros do petróleo bruto era de cerca de US$ 70 por barril.

Matéria publicada na Reuters, no dia 06/10/2026, às 06:58 (horário de Brasília)