O petróleo cai para a mínima em duas semanas, com os EUA e o Irã se aproximando de um acordo
Os preços do petróleo caíram quase 6% para mínimas de duas semanas nesta segunda-feira, com o aumento do otimismo de que os Estados Unidos e o Irã estariam se aproximando de um acordo de paz, embora ainda discordem sobre questões-chave, como os bloqueios no Estreito de Ormuz.
Às 08:25 (horário de Brasília), os contratos futuros do petróleo Brent caíram US$ 6,01, ou 5,8%, para US$ 97,53 o barril, e os contratos futuros do petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) dos EUA recuaram US$ 5,65, ou 5,9%, para US$ 90,95. Ambos os contratos atingiram seus menores valores desde 7 de maio.
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse no sábado que Washington e o Irã haviam negociado em grande parte um entendimento sobre um acordo de paz que reabriria a rota comercial do Estreito de Ormuz, que transportava um quinto das remessas globais de petróleo e gás natural liquefeito antes do conflito.
No entanto, várias questões difíceis permanecem, com Trump afirmando no domingo que havia instruído seus representantes a não se precipitarem em nenhum acordo.
“O déficit de oferta subjacente de 10 a 11 milhões de barris de petróleo bruto por dia não desaparece imediatamente e fará com que os mercados continuem a reduzir os estoques até que a produção de petróleo bruto do Oriente Médio volte a funcionar, o que levará meses”, disse June Goh, analista da Sparta Commodities.
Na segunda-feira, ambos os lados minimizaram as esperanças de um avanço iminente. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que ou haverá um bom acordo ou Washington lidará com o Irã de “outra maneira”.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou na segunda-feira que o Irã está negociando o fim da guerra e que não está discutindo questões nucleares no momento.
Os analistas preveem que o retorno ao fluxo normal de petróleo pelo estreito levará meses, enquanto as instalações de petróleo e gás danificadas são reparadas.
“Continuamos acreditando que os principais fatores a serem observados pelo mercado de petróleo devem ser os fluxos físicos de petróleo; e até o momento, os fluxos através do Estreito permanecem restritos”, disse o analista da UBS, Giovanni Staunovo.
Na segunda-feira, dois navios-tanque carregados com gás natural liquefeito estavam saindo do Estreito, rumo ao Paquistão e à China, e um superpetroleiro com petróleo bruto iraquiano deixou o Golfo em direção à China no sábado, após ficar retido por quase três meses, segundo dados de navegação.
As empresas de energia dos EUA responderam ao aumento dos preços locais da energia adicionando plataformas de petróleo e gás natural pela quinta semana consecutiva, algo inédito desde fevereiro de 2025.
O número de plataformas de perfuração, um indicador antecipado da produção futura, aumentou em sete, chegando a 558 na semana encerrada em 22 de maio, o maior número desde junho de 2025. Mesmo assim, a Baker Hughes afirmou que o número total ainda está oito plataformas abaixo, ou 1%, em comparação com o mesmo período do ano passado.
Matéria publicada na Reuters, no dia 25/05/2026, às 00:00 (horário de Brasília)