O petróleo recua da marca acima de US$ 100, mas ainda deve registrar alta semanal devido à escalada no Oriente Médio

Os preços futuros do petróleo caíram cerca de 3% na sexta-feira, mas ainda devem registrar ganhos semanais expressivos devido a preocupações com a interrupção do fluxo de energia no Mar Vermelho e temores de uma escalada ainda maior na guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã.

Os contratos futuros do Brent caíram US$ 2,79, ou 2,77%, para US$ 97,90 o barril às 12h12 GMT, após terem fechado acima de US$ 100 na sessão anterior pela primeira vez desde maio, depois que os houthis, alinhados ao Irã, disseram ter atacado dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho.

O contrato manteve-se no caminho certo para uma valorização de 11% esta semana.

Os contratos futuros do petróleo West Texas Intermediate (WTI) caíram US$ 2,19, ou 2,38%, para US$ 90 o barril, a caminho de uma alta semanal de quase 8,9%.

“As tensões no Oriente Médio, decorrentes dos contínuos ataques dos EUA ao Irã, do aumento do envolvimento dos Houthis no Mar Vermelho e das interrupções no fornecimento de energia da CPC, inevitavelmente elevaram os preços, à medida que a oferta volta a ficar restrita”, disse o analista da Rystad, Janiv Shah, acrescentando que a atual interrupção no Estreito de Ormuz parece estar se aproximando dos níveis máximos de março.

O presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu “punição militar severa” ao Irã e seus aliados houthis após os ataques no Mar Vermelho.

O Irã vinha pressionando os houthis para que fechassem o estreito de Bab el-Mandeb, que dá acesso ao Mar Vermelho, caso os EUA continuassem a atacar a infraestrutura energética iraniana. Trata-se da segunda rota mais importante para o transporte de energia, depois do Estreito de Ormuz, na entrada do Golfo Pérsico.

Além disso, os houthis declararam na segunda-feira que estavam impondo um bloqueio naval à Arábia Saudita, que vinha desviando seu petróleo por meio de oleodutos para contornar o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã.

O número de trânsitos diários de navios pelo Estreito de Ormuz manteve-se estável em três nos últimos três dias, segundo dados preliminares de rastreamento de navios da Kpler. Outros dois navios — incluindo o petroleiro de grande porte Noble, que estava vazio — também entraram no Golfo pelo estreito na quinta-feira.

Entretanto, no estreito de Bab el-Mandeb, o número de trânsitos de navios mercantes totalizou 32 em 23 de julho, contra 26 no dia anterior, segundo dados da Kpler, com duas travessias registradas até o momento em 24 de julho.

“Em mares favoráveis, os navios ainda estão navegando… portanto, não se trata de um bloqueio completo como alguns temiam”, disse Giovanni Staunovo, analista do UBS.

Analistas do JPMorgan afirmaram em uma nota que cada mês adicional de interrupção no fornecimento de petróleo acrescentaria cerca de US$ 7 a US$ 8 por barril ao preço do Brent, elevando os preços médios mensais para cerca de US$ 114 por barril, caso as interrupções se estendam por três meses.

Em outro contexto, a Rússia afirmou na sexta-feira que suas forças atacaram três portos ucranianos durante a noite, visando infraestruturas — incluindo instalações de carga e descarga e reservas de combustível — que davam suporte às forças armadas de Kiev.

Na quinta-feira, o Ministério da Energia do Cazaquistão informou que as empresas petrolíferas reduziram temporariamente a produção após suspeitas de ataques com drones ucranianos terem forçado o fechamento do principal terminal de exportação do país no Mar Negro.

Matéria publicada na Reuters, no dia 24/07/2026, às 00:00 (horário de Brasília)