O petróleo se mantém estável, a caminho de registrar queda semanal devido ao impasse nas negociações entre EUA e Irã
Os preços do petróleo mantiveram-se estáveis nesta sexta-feira e caminhavam para uma queda semanal, enquanto os investidores avaliavam a estagnação das negociações diplomáticas entre EUA e Irã em contraste com o fluxo de petróleo bruto pelo Estreito de Ormuz.
Os contratos futuros do petróleo Brent caíram 5 centavos, para US$ 89,65 o barril, às 08:26 (horário de Brasília). Os contratos futuros do petróleo bruto West Texas Intermediate recuaram 41 centavos, ou 0,49%, para US$ 83,12.
Ambos os índices de referência estavam prestes a encerrar a semana em baixa, com o Brent caindo 5,3% e o WTI recuando 4,7%.
“A queda semanal provavelmente se deve ao volume disponível que consegue sair do Estreito e ao ritmo de aumento dos fluxos, o que permitirá que as refinarias asiáticas extraiam e consumam… o mercado foi surpreendido pelo fluxo adicional, pelo corredor de navegação Irã-Omã e pelas alegações dos EUA sobre a remoção de minas”, disse o analista da Rystad, Janiv Shah.
Os Estados Unidos anunciaram, no início da semana, o que chamaram de “as sanções mais duras da história” contra o Irã. Teerã afirmou que as sanções foram um “ato desumano e hostil” que perdeu sua eficácia.
Os mediadores estão intensificando os esforços para reabrir o Estreito de Ormuz, com Teerã concordando em elaborar uma lista de condições para restabelecer o tráfego normal, após um emissário do Catar pressionar os iranianos a respeitarem a liberdade de navegação.
Entretanto, a recuperação incipiente do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz – por onde passa 20% do abastecimento mundial de petróleo – foi instável.
Sete navios mercantes transitaram na quinta-feira, número inferior aos 17 do dia anterior e abaixo da média de 15 dos últimos 10 dias, segundo dados preliminares de navegação divulgados na sexta-feira. O Estreito de Bab el-Mandeb, outro importante ponto de estrangulamento marítimo, registrou a passagem de 17 navios mercantes, sendo seis na entrada e 11 na saída.
Na quinta-feira, o Goldman Sachs estimou que as exportações totais recentes do Golfo do Pérsico ficaram entre 15 e 16 milhões de barris por dia, 7 a 8 milhões de barris por dia abaixo dos níveis pré-guerra, mas 5 a 6 milhões acima do ponto mais baixo registrado em março.
“As ramificações sobre quem estará dentro ou fora da OPEP, como a demanda da China será afetada e se os problemas de refino em todo o mundo poderão ser resolvidos estão firmemente atreladas a essa instável guerra”, disse John Evans, analista de futuros de petróleo da PVM.
Autoridades do governo Trump estão trabalhando em um acordo para garantir acesso a longo prazo a uma parte das reservas de petróleo bruto da Venezuela, disseram fontes com conhecimento das negociações na quinta-feira, uma medida que poderia, em última análise, reduzir o custo das importações de petróleo. A Venezuela também está considerando deixar o grupo de produção de petróleo da OPEP, informou a Bloomberg.
Em outro contexto, as tensões geopolíticas aumentaram depois que Moscou alertou que poderia atacar alvos militares britânicos dentro e fora da Ucrânia em resposta aos ataques de Kiev em território russo, utilizando mísseis de cruzeiro de longo alcance fornecidos pela Grã-Bretanha.
Trump, no entanto, afirmou que o presidente russo Vladimir Putin não atacará um país da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e minimizou as notícias veiculadas pela mídia de que o diretor da CIA, John Ratcliffe, teria alertado autoridades russas contra tal ataque nesta semana. O Reino Unido é um dos membros fundadores da OTAN.
O exército ucraniano atacou uma refinaria de petróleo russa na região de Yaroslavl durante a noite, informou o Estado-Maior ucraniano nesta sexta-feira.
Matéria publicada na Reuters, no dia 28/08/2026, às 00:00 (horário de Brasília)
