O petróleo sobe mais de 1% com os investidores avaliando o fluxo de navios; ganhos mensais à vista

Os preços do petróleo subiram mais de 1% na sexta-feira e permaneceram a caminho de uma alta mensal, após relatos de que alguns petroleiros foram forçados a retornar no Estreito de Ormuz, o que levou os operadores a reavaliarem o fluxo de navios por essa importante via navegável.

Às 09:18 (horário de Brasília), os contratos futuros do petróleo Brent subiram US$ 1,01, ou 1,13%, para US$ 90,04 o barril, enquanto o petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) dos EUA subiu US$ 1,18, ou 1,41%, para US$ 84,77 o barril.

O Brent estava a caminho de subir 23% em julho e o WTI cerca de 22%.

“Os meios de comunicação iranianos afirmam que alguns petroleiros foram forçados a retornar, então… o baixo fluxo de embarcações que atravessam o Estreito tem sustentado os preços”, disse Giovanni Staunovo, analista do UBS.

A Guarda Revolucionária do Irã impediu que dois petroleiros atravessassem o Estreito de Ormuz, enquanto outros quatro mudaram de rota, informou a agência de notícias Fars.

No entanto, dois navios petroleiros de grande porte (VLCC) carregados com petróleo proveniente do Golfo saíram do estreito na sexta-feira, embora o tráfego na hidrovia tenha permanecido baixo, de acordo com dados de rastreamento de navios da Kpler.

Entretanto, 29 navios mercantes atravessaram o estreito de Bab el-Mandeb na quinta-feira.

“O mercado parou de negociar a guerra e começou a negociar os dados de transporte marítimo”, disse Ole Hvalbye, analista de mercado da SEB Research.

As negociações entre o Irã e Omã sobre a gestão do Estreito de Ormuz continuam, de acordo com a Agência de Notícias do Trabalho Iraniana, apesar de o Irã ter rejeitado a proposta de Omã para a gestão conjunta da hidrovia.

A Arábia Saudita busca liderar uma coalizão para impulsionar a cooperação em defesa no estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho e no Golfo de Aden, todos pontos de estrangulamento para o fornecimento de energia.

Persistem os riscos geopolíticos

Um ataque com drone que provocou incêndios em dois navios de gás no porto egípcio de Damietta, no Mediterrâneo, representou uma nova ameaça à navegação pelo Canal de Suez, uma das últimas grandes rotas de exportação disponíveis para o petróleo saudita em meio à crescente guerra entre os EUA e o Irã.

A guerra interrompeu o tráfego tanto no estreito de Bab el-Mandeb quanto no estreito de Ormuz, dois dos pontos de estrangulamento energético mais importantes do mundo.

Antes do conflito, o Estreito de Ormuz sozinho transportava cerca de um quinto do fornecimento mundial de petróleo e gás natural liquefeito, mas o tráfego através dessa hidrovia caiu drasticamente e chegou a ser interrompido em alguns períodos.

A Abu Dhabi National Oil Co (ADNOC) adquiriu cinco navios petroleiros de grande porte (VLCCs) por cerca de US$ 590 milhões, segundo três fontes familiarizadas com o assunto, expandindo sua frota em um momento em que os conflitos no Mar Vermelho e no Estreito de Ormuz restringem a oferta de petroleiros.

Em outro local, os militares da Ucrânia disseram ter atingido a refinaria de petróleo russa de Volgogrado durante a noite de sexta-feira, causando um incêndio nas instalações.

“É provável que o Brent permaneça em uma faixa relativamente ampla de US$ 80 a US$ 100 por barril no curto prazo, enquanto o mercado reage aos riscos geopolíticos”, disse Paolo Broccardo, CEO do BankPro.

Matéria publicada na Reuters, no dia 31/07/2026, às 00:00 (horário de Brasília)