O preço do petróleo cai para mínimas de quase dois meses após Trump cancelar ameaças de ataques ao Irã
Os preços do petróleo caíram mais de 3% na sexta-feira, atingindo o menor nível em quase dois meses, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, cancelou novos ataques ao Irã, reduzindo os temores de uma escalada das hostilidades após os ataques de retaliação no início da semana.
Às 08:11 (horário de Brasília), os contratos futuros do petróleo Brent caíram US$ 3,13, ou 3,46%, para US$ 87,25 o barril, enquanto o petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) dos EUA recuou US$ 3,14, ou 3,58%, para US$ 84,57. Ambos os contratos atingiram seus menores valores desde 17 de abril.
Um memorando entre os Estados Unidos e o Irã para interromper a guerra no Golfo poderá ser assinado já neste domingo, disse uma fonte ocidental à Reuters na sexta-feira, com Genebra surgindo como o local mais provável.
Trump cancelou os ataques que havia previsto para quinta-feira, enquanto a agência de notícias iraniana Mehr informou que as negociações finais sobre um memorando de entendimento com os EUA se concentrariam em questões nucleares e econômicas, mas excluiriam discussões sobre o programa de mísseis do Irã.
A agência de notícias iraniana IRNA, por sua vez, afirmou que as negociações nucleares ocorreriam dentro de um período de 60 dias após a assinatura do memorando de entendimento.
“As manchetes estão novamente impulsionando o mercado, à medida que cresce a confiança de que um acordo será finalmente fechado e o Estreito será reaberto”, disse Tamas Varga, analista da PVM Oil Associates.
A ressalva, no entanto, era que os estoques globais e regionais de petróleo ainda estavam baixos e poderiam diminuir ainda mais mesmo com um acordo, já que levaria tempo para garantir o fluxo ininterrupto de petróleo, acrescentou ele.
Na quinta-feira, o Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde o tráfego de embarcações já estava severamente limitado, afirmando que abriria fogo contra qualquer navio que tentasse atravessar a hidrovia. O estreito normalmente transporta um quinto das cargas globais de petróleo e gás natural liquefeito.
As Forças Armadas dos EUA disseram nas redes sociais que navios comerciais continuavam a transitar pela hidrovia.
“Acreditamos que o mercado atingirá um ponto de inflexão no final de julho, caso não observemos a retomada do fluxo de petróleo até lá. É nesse momento que os níveis de estoque e a demanda sazonalmente mais forte impulsionarão os preços significativamente para cima, em direção a US$ 120-130 por barril”, disseram analistas do ING em nota divulgada na sexta-feira.
O Goldman Sachs reduziu sua previsão para o preço médio do Brent em 2027 para US$ 80 por barril, devido ao aumento da oferta e à queda da demanda, mas espera que os preços ultrapassem a média de 2025, em função do aumento dos estoques de petróleo comercial da OCDE e de um prêmio de segurança por interrupções no fornecimento.
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) reduziu na quinta-feira sua previsão de crescimento da demanda mundial de petróleo para 2026 para 970.000 barris por dia, ante a previsão anterior de 1,17 milhão de barris por dia, marcando sua segunda revisão consecutiva para baixo.
O grupo de produtores também afirmou que o consumo se recuperará posteriormente, elevando sua previsão de crescimento da demanda para 2027. A expectativa é de que a demanda por petróleo em 2027 aumente em 1,73 milhão de barris por dia, um acréscimo de 190 mil barris por dia em relação à previsão anterior.
Matéria publicada na Reuters, no dia 12/06/2026, às 00:00 (horário de Brasília)
