O preço do petróleo sobe após Trump rejeitar a resposta do Irã à proposta de paz dos EUA

Os preços do petróleo subiram nesta segunda-feira, um dia depois de o presidente Donald Trump ter dito que a resposta do Irã a uma proposta de paz dos EUA era “inaceitável”, aumentando os temores sobre a oferta, já que o Estreito de Ormuz permaneceu em grande parte fechado, o que manteve o mercado global restrito.

Os contratos futuros do petróleo Brent subiram US$ 2,70, ou 2,67%, para US$ 103,99 o barril às 09:02 (horário de Brasília). O petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) dos EUA estava cotado a US$ 97,66 o barril, alta de US$ 2,24, ou 2,35%. No início da sessão, os dois petróleos chegaram a atingir US$ 105,99 e US$ 100,37 o barril, respectivamente.

Na semana passada, ambos os contratos registraram perdas semanais de 6%, devido à expectativa de um fim iminente ao conflito que já dura 10 semanas e que permitiria o trânsito de petróleo pelo Estreito de Ormuz.

“Apesar dos sinais tranquilizadores de que os canais de comunicação paralelos ainda estão abertos e as partes estão conversando, nossa avaliação é que os EUA e o Irã estão tão longe de um acordo quanto quando esse suposto cessar-fogo começou”, disse John Evans, analista da PVM Oil Associates. “Não vemos nada mudando antes da visita de Donald Trump à China, quando ele pedirá a ajuda de Pequim para pressionar o Irã.”

Segundo autoridades americanas, Trump tem chegada prevista a Pequim na quarta-feira e deverá discutir o Irã, entre outros assuntos, com o presidente chinês Xi Jinping.

O mundo perdeu cerca de 1 bilhão de barris de petróleo nos últimos dois meses e os mercados de energia levarão tempo para se estabilizar, mesmo que o fluxo seja retomado, disse o CEO da Saudi Aramco, Amin Nasser, no domingo.

“Nossa visão otimista permanece e concordamos com a opinião da Saudi Aramco de que, mesmo que a situação em Ormuz seja resolvida e o canal aberto, levará muitos meses para que a normalidade no fornecimento de petróleo seja restabelecida”, disse Evans.

Fontes do setor disseram à Reuters que as exportações de petróleo bruto da Arábia Saudita para a China devem cair ainda mais em junho, depois que os compradores reduziram as encomendas devido aos preços elevados relacionados ao conflito entre os EUA e o Irã e à menor oferta.

Entretanto, três petroleiros carregados com petróleo bruto saíram do Estreito de Ormuz na semana passada e no domingo com os rastreadores desligados para evitar ataques iranianos, segundo dados da Kpler Shipping. Um deles estava carregado com petróleo bruto iraquiano e seguia para o Vietnã.

O Ministério da Indústria do Japão informou que um navio-tanque carregado com petróleo bruto do Azerbaijão deve chegar já na terça-feira, sendo esta a primeira carga de petróleo recebida da Ásia Central desde o início da guerra com o Irã.

Os analistas do ANZ previram que o Brent permaneceria acima de US$ 90 por barril até 2026 e em torno de US$ 80 a US$ 85 por barril até 2027, à medida que o crescimento da demanda for retomado e os estoques forem gradualmente recompostos.

Na tentativa de proteger os preços e garantir receita, a produtora americana Diamondback Energy adquiriu opções para vender a diferença de preço entre o petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) dos EUA e o Brent por cerca de US$ -42 por barril nos próximos meses, uma aposta que poderia ser lucrativa caso os EUA proibissem as exportações de petróleo. Isso levaria a um aumento nos estoques domésticos, já que as refinarias americanas normalmente processam menos petróleo bruto doméstico do que o produzido no país, o que pressionaria os preços do WTI para baixo e ampliaria seu desconto em relação ao Brent.

Matéria publicada na Reuters, no dia 11/05/2026, às 00:00 (horário de Brasília)