O preço global do petróleo subiu 2%, enquanto os ataques militares dos EUA ao Irã aumentam a incerteza em relação ao acordo de paz

O petróleo Brent subiu mais de 2% na terça-feira, após os militares dos EUA realizarem ataques no Irã, aumentando a incerteza sobre se um acordo será alcançado em breve para encerrar a guerra e reabrir o fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou na terça-feira que negociar um acordo com o Irã poderia “levar alguns dias”, frustrando as esperanças de um fim iminente ao conflito, um dia após as forças americanas realizarem o que Washington chamou de ataques defensivos no sul do Irã.

“Ainda aguardamos mais detalhes sobre um possível acordo”, disse Giovanni Staunovo, do UBS. “Enquanto isso, vemos tensões renovadas no Oriente Médio, e o fluxo pelo Estreito permanece restrito.”

O Brent, referência global, subiu US$ 2,43, ou 2,5%, para US$ 98,57 o barril às 08:22 (horário de Brasília), após fechar em queda de 7% na sessão anterior. O West Texas Intermediate (WTI) dos EUA recuou US$ 4,36, ou 4,5%, em relação ao fechamento de sexta-feira, para US$ 92,24. Não houve negociação de WTI na segunda-feira devido ao feriado do Memorial Day nos EUA.

Negociações em Doha sobre possível acordo

“Embora as diferenças entre as partes tenham diminuído, qualquer acordo de paz final provavelmente levará apenas a uma reabertura gradual, o que significa que a atual situação de oferta restrita pode levar meses para se normalizar”, disse Ole Hansen, do Saxo Bank.

Desde o início da guerra, Teerã praticamente interrompeu toda a navegação não iraniana de entrada e saída do Golfo Pérsico pelo Estreito de Ormuz, bloqueando cerca de um quinto do fluxo global de petróleo e gás natural liquefeito.

Os ataques ocorreram enquanto o principal negociador do Irã e o ministro das Relações Exteriores estavam em Doha para conversas com o primeiro-ministro do Catar sobre um possível acordo com os EUA para encerrar a guerra que já durava três meses.

Washington e Teerã afirmaram ter feito progressos em um memorando de entendimento que interromperia a guerra e daria aos negociadores 60 dias para chegar a um acordo final.

O Nikkei informou, citando uma fonte diplomática do Oriente Médio, que o Irã removeria as minas do estreito dentro de um prazo de 30 dias, conforme o acordo, após o qual embarcações de todos os países poderiam navegar livremente e com segurança, e Teerã também encerraria a cobrança da taxa de trânsito.

Dados de rastreamento de navios mostraram que três navios-tanque de GNL atravessaram o Estreito nos últimos dias, rumo ao Paquistão, China e Índia, juntamente com um superpetroleiro que transportava petróleo bruto iraquiano para a China e que estava retido há quase três meses.

O presidente dos EUA, Donald Trump, reiterou na segunda-feira sua exigência de que o Irã entregue seu urânio enriquecido para que possa ser destruído.

“É um forte lembrete de que o acordo ainda pode fracassar na última hora, assim como as cinco tentativas anteriores”, disse Tony Sycamore, analista de mercado da IG.

Matéria publicada na Reuters, no dia 26/05/2026, às 00:00 (horário de Brasília)