Os EUA ampliam os ataques ao Irã enquanto ambos os lados minimizam a diplomacia
Segundo a mídia iraniana, as forças americanas atacaram uma instalação militar perto da cidade de Tabriz, no noroeste do país. Acredita-se que esta tenha sido a primeira vez que a área foi atingida desde que as hostilidades entre os lados em conflito se intensificaram há duas semanas.Donald Trump e autoridades em Teerã sinalizaram que uma retomada das negociações de paz é improvável em curto prazo.
O governo iraniano ativou as defesas aéreas na manhã de quarta-feira em Teerã, a capital, informou a mídia local, acrescentando que os EUA atacaram Abdanan e Chovar, no oeste do país, perto da fronteira com o Iraque.
Esse foi o 11º dia consecutivo de ataques contra o Irã, que voltou a disparar contra bases americanas no Kuwait, Bahrein e Jordânia.
O ministro do Interior do Irã, Eskandar Momeni, visitou o Paquistão — o principal mediador no conflito, juntamente com o Catar — na terça-feira, mas não houve indícios de que seus encontros tenham diminuído as tensões.
“Não há negociações — só é possível haver uma troca de mensagens”, disse um porta-voz do ministério após a visita, segundo a agência de notícias semioficial Mehr. “Nossa nova mensagem é que o inimigo violou o memorando e deve cumpri-lo”, acrescentou, referindo-se ao acordo de paz provisório de 17 de junho, que agora está efetivamente obsoleto.
Os preços do petróleo dispararam nas últimas duas semanas e o Brent subiu 2,7%, chegando perto de US$ 94 o barril em Londres na quarta-feira. Os preços dos combustíveis refinados, incluindo o diesel no atacado na Europa, também estão em alta.
Os mercados de títulos reagiram, com os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA de 10 e 30 anos subindo para máximas de aproximadamente dois meses, devido à preocupação de que as pressões inflacionárias levem o Federal Reserve a aumentar as taxas de juros.
Os EUA afirmam que intensificarão sua campanha de bombardeios até que o Irã concorde em reabrir o Estreito de Ormuz e cesse os ataques a petroleiros e outras embarcações que transitam por essa importante via navegável. Até o momento, o Irã não recuou e rejeitou as alegações de Trump de que busca uma nova rodada de negociações.
Enquanto isso, os houthis, apoiados pelo Irã, ameaçaram abrir outra frente na guerra, alertando os armadores de que poderiam ser alvos caso tentassem atracar em portos da Arábia Saudita. O grupo, com base no Iêmen, está agora preparado para ataques marítimos a partir de posições próximas ao estreito de Bab el-Mandeb, no extremo sul do Mar Vermelho, segundo um alerta do Centro Conjunto de Informações Marítimas (Joint Maritime Information Center), órgão global de monitoramento da segurança naval.
Trump afirma que as operações americanas estão degradando seriamente o poderio militar do Irã, mesmo enquanto a República Islâmica continua atacando navios no Estreito de Ormuz. Teerã também está causando grandes prejuízos às tropas e bases americanas. No final da terça-feira, o Pentágono informou que um sargento do exército teria sido morto na sexta-feira passada durante um ataque a uma base aérea na Jordânia. O soldado de 28 anos estava desaparecido até então.
A morte dela é a quarta fatalidade americana na última semana, com outros dois soldados mortos na Jordânia e outro falecendo em decorrência de um ataque no norte do Iraque.
O Irã afirma que os 11 dias de ataques dos EUA mataram mais de 50 pessoas e feriram mais de 500.
Em resposta a uma pergunta feita na terça-feira, Trump afirmou que o Irã “provavelmente” está tentando influenciar as eleições de meio de mandato em novembro com seus ataques no Estreito de Ormuz, que elevaram os preços da gasolina nos EUA. Ele reiterou que mais ações militares são prováveis e sugeriu que atacaria a Montanha da Picareta, que os EUA e Israel suspeitam ser uma instalação nuclear.
“Se saíssemos amanhã, teríamos tido um grande, um enorme sucesso”, disse Trump sobre o Irã. “Mas não vamos sair amanhã.”
O Irã prometeu responder com um “ataque poderoso” a qualquer ataque às suas instalações nucleares ou outras infraestruturas sensíveis.
Se os EUA pisarem em solo iraniano, “enfrentarão milhões de pessoas que os confrontarão com tudo o que têm”, disse o comandante-em-chefe do Exército, Amir Hatami, citado pela TV estatal.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, disse aos senadores na terça-feira que a guerra custou a Washington US$ 37,5 bilhões até o momento. No final de maio, autoridades do governo haviam estimado esse valor em US$ 29 bilhões, o que alguns especialistas criticaram como uma subestimação. Hegseth estava no Capitólio defendendo um projeto de lei de gastos suplementares de defesa no valor de US$ 67 bilhões.
Matéria publicada na Bloomberg, no dia 22/07/2026, às 04:53 (horário de Brasília)