Os preços do petróleo disparam com a persistência das preocupações com o abastecimento no Oriente Médio em meio a ataques a navios
Os preços do petróleo subiram mais de 5% nesta quinta-feira devido às persistentes preocupações com o fornecimento do Oriente Médio, em meio a um aumento nos ataques a navios no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz, enquanto os EUA reduziram a produção devido à ameaça de um furacão à produção em alto-mar.
Os contratos futuros do petróleo Brent subiram US$ 5, ou 4,99%, para US$ 105,20 o barril às 07:41 (horário de Brasília), atingindo o maior valor desde 29 de setembro. O petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) dos EUA ganhou US$ 4,47, ou 5,06%, chegando a US$ 92,75, o maior valor desde 2 de outubro.
Chris Beauchamp, analista-chefe de mercado da IG, disse que a iminente tempestade nos EUA, juntamente com uma reportagem da Axios indicando que Washington estava se preparando para retomar grandes operações de combate contra o Irã, estavam mantendo os preços acima de US$ 100 por barril.
“Os EUA provavelmente estão tentando aumentar a pressão para levar o Irã à mesa de negociações, mas não podemos descartar a possibilidade de uma nova rodada de ataques. Os investidores certamente não parecem estar dispostos a correr riscos.”
A Reuters não conseguiu verificar de forma independente a reportagem da Axios.
Entretanto, a Síria estaria considerando fornecer assistência militar à Arábia Saudita, seu principal aliado, para o conflito crescente contra os houthis, apoiados pelo Irã, no Iêmen, segundo um oficial americano e um oficial militar sírio a par do assunto. As opções em análise incluem ajuda defensiva ou o envio de tropas em caráter ofensivo para auxiliar as tropas iemenitas apoiadas pela Arábia Saudita, disseram as fontes.
Persistem as interrupções no fornecimento
Os preços fecharam em baixa na quarta-feira, depois que a Agência Internacional de Energia concordou em acelerar a liberação de estoques de petróleo e priorizar o fornecimento de diesel, enquanto os governos buscam lidar com os preços recordes dos combustíveis e as interrupções no fornecimento causadas pela guerra com o Irã.
No entanto, as ameaças ao transporte de petróleo no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz, que antes da guerra transportavam remessas equivalentes a cerca de 20% do petróleo e combustível globais, aumentaram em outubro, à medida que o conflito com o Irã entra em seu oitavo mês, elevando os preços.
Os ataques a petroleiros que navegavam pelo estreito atingiram, na semana passada, o nível mais alto desde o início da guerra, à medida que os produtores do Golfo aumentaram as exportações.
“A frequência dos ataques iranianos a navios está agora no ponto mais alto desde o início da guerra e provavelmente se intensificará ainda mais”, disse Saul Kavonic, chefe de energia da MST Marquee.
“Fluxos de produtos restritos, custos logísticos extremamente altos e uma alta probabilidade de escalada por parte do Irã estão mantendo os preços elevados.”
Os preços do petróleo também estão subindo devido à redução da oferta, à medida que um furacão se aproxima das áreas de produção offshore nos EUA, o maior produtor de petróleo do mundo, forçando as empresas a fecharem suas plataformas.
Shell e Chevron afirmaram na quarta-feira que estavam reduzindo as operações em alto-mar no Golfo do México devido à aproximação do furacão Isaías.
No geral, os produtores de petróleo e gás do Golfo do México, nos EUA, interromperam cerca de 25,08% da produção atual de petróleo e 16,37% da produção atual de gás natural até quarta-feira devido à tempestade, de acordo com a Administração de Minerais Marinhos.
Os dados de estoque dos EUA, também o maior consumidor de petróleo do mundo, deram suporte aos preços, já que os estoques de petróleo bruto caíram em uma quantidade maior do que a esperada, enquanto os estoques de diesel diminuíram ligeiramente.
Matéria publicada na Reuters, no dia 08/10/2026, às 00:00 (horário de Brasília)
