Primeiro-ministro do Catar visita Omã para abrir caminho para negociações entre Irã, países do Golfo e Iraque no Ormuz
O primeiro-ministro do Catar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman al-Thani, visitou Mascate na quarta-feira para conversas com Omã sobre o início de negociações envolvendo Irã, Iraque e os estados árabes do Golfo sobre o Estreito de Ormuz, disse à Reuters um diplomata a par das conversas.
As discussões são independentes das negociações de paz entre os EUA e o Irã e dos acordos de desminagem. Espera-se que os países do Golfo pressionem pela isenção de taxas de trânsito, enquanto o Irã poderá propor taxas ambientais, de navegação e de segurança, disse o diplomata.
O Estreito de Ormuz, uma rota vital para cerca de um quinto do fornecimento global de petróleo e gás natural liquefeito, tem sido fortemente afetado desde que os Estados Unidos e Israel iniciaram uma guerra contra o Irã em 28 de fevereiro, restringindo o transporte marítimo comercial e abalando os mercados globais de energia.
A medida parece implementar uma disposição do memorando de entendimento assinado na semana passada, que prevê que o Irã realize conversas com Omã e outros estados do Golfo, bem como com o Iraque, sobre a futura gestão da navegação e dos serviços marítimos no estreito.
O diplomata acrescentou que o Paquistão era o mediador proposto para essas negociações.
Em separado, existem planos para que conversações de reconciliação regional sejam realizadas em Riade entre o Irã, os estados árabes do Golfo e possivelmente outros países da região, afirmou ele.
Omã anuncia rotas temporárias
Na quarta-feira, Omã anunciou duas rotas temporárias, uma ao norte e outra ao sul da rota de navegação existente no estreito, para facilitar a passagem segura de embarcações que partem da região, em coordenação com a Organização Marítima Internacional.
Segundo um plano faseado desenvolvido pela OMI em coordenação com as autoridades omanitas, os navios serão agrupados e contatados individualmente com instruções sobre quando poderão partir e qual rota deverão seguir.
Omã afirmou que os armadores e comandantes continuam responsáveis por realizar avaliações de risco independentes antes das viagens. As embarcações foram instruídas a manter seus Sistemas de Identificação Automática ativados durante o trânsito e a relatar quaisquer riscos à navegação ao Centro de Segurança Marítima de Omã.
O comunicado de Omã afirmou que não serão cobradas taxas de pedágio das embarcações que transitam pelo Estreito de Ormuz, em conformidade com o resultado das recentes negociações entre os Estados Unidos e o Irã.
O Irã e Omã iniciaram, na terça-feira, discussões sobre a futura administração da navegação e dos serviços marítimos na hidrovia.
Matéria publicada na Reuters, no dia 24/06/2026, às 02:11 (horário de Brasília)