Rubens Ometto afirma que Raízen ‘vai muito bem’ e recuperação será bem-sucedida
O controlador do grupo Cosan, Rubens Ometto, afirmou nesta segunda-feira (22) que o processo de recuperação extrajudicial da Raízen será bem-sucedido. A empresa luta para renegociar uma dívida de R$ 64,7 bilhões.
“A empresa vai muito bem, gera caixa, é organizada, não tem falcatrua nenhuma, não tem desvio nenhum”, disse Ometto, após evento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Rio de Janeiro. “Ela tem um problema de estrutura de capital que está resolvido.”
A Raízen acumulou prejuízos nos últimos anos por conta de apostas malsucedidas, sobretudo em relação ao etanol de segunda geração e à aposta para desenvolver a varejista Oxxo no país.
A Raízen já conseguiu apoio de mais de 80% dos credores para a reestruturação da dívida. A recuperação extrajudicial, se confirmada, será a maior já realizada no Brasil. O acordo precisa também ser homologado por um juiz.
Os grupos de credores incluídos na recuperação extrajudicial são detentores de títulos internacionais, debêntures, certificados de recebíveis do agronegócio e bancos, representando cerca de 75% das obrigações. Fornecedores, clientes e revendedores não terão créditos reestruturados.
O processo deve culminar na separação das atividades da Raízen, uma parceria entre Cosan e Shell criada para juntar ativos de produção de etanol com ativos de distribuição de combustíveis automotivos. A empresa é hoje a terceira maior distribuidora do país.
“O que a gente nota hoje é que tem investidores que preferem distribuição [de combustíveis] e tem os que preferem geração de energia”, afirmou Ometto. “Então, cada um compra o que quiser, escolhe direito o que quiser.”
A Shell aportará R$ 3,5 bilhões, e o plano prevê a possibilidade de investimento de R$ 500 milhões de Rubens Ometto, acionista controlador da Cosan, por meio de seu fundo familiar Aguassanta, ambos recebendo ações ordinárias.
Este mês, o grupo IG4 decidiu entrar nas negociações, tentando acumular dívida suficiente para ter uma participação de pouco mais de 50% quando a conversão for concluída, segundo informações publicadas pela agência Reuters.
A gestora de ativos enviou cartas aos credores no dia 15 de junho. A ideia é criar um fundo de investimento para deter as ações. Os credores podem escolher entre receber cotas do fundo, um pagamento em dinheiro, ou derivativos que gerariam ganhos quando a IG4 vender a participação no futuro.
A IG4 assumiu recentemente o comando da Braskem, também em dificuldades financeiras, ao comprar as ações da Novonor (ex-Odebrecht). A gestora e sua sócia, a Petrobras, esperam ter até o fim do mês um desenho do processo de renegociação de dívidas.
Matéria publicada no portal da Fecombustíveis, no dia 23/06/2026, às 06:00 (horário de Brasília)