Rubio diz que acordo com Irã pode levar dias enquanto EUA lançam novos ataques

O secretário de Estado dos ⁠EUA, Marco Rubio, disse nesta terça-feira que a ⁠negociação de um acordo com o Irã pode ‘levar alguns dias’, frustrando ‌as esperanças de um fim iminente para o conflito, um dia depois que as forças dos EUA realizaram o que Washington chamou de ataques defensivos ‌no sul do Irã.

Descrevendo os ataques contra alvos que incluíam barcos que tentavam colocar minas e locais de lançamento de mísseis, Rubio disse que o Estreito de Ormuz precisa ser aberto ‘de um jeito ou de outro’.

“Os estreitos têm de estar abertos; de uma forma ou de outra, eles vão estar abertos, por ⁠isso ‌precisam de estar abertos”, disse Rubio aos repórteres a bordo do seu ⁠avião em Jaipur, na Índia.

Apesar de um cessar-fogo em vigor desde o início de abril, o comando central dos EUA disse em um comunicado na segunda-feira que havia realizado novos ataques destinados a ‘proteger nossas tropas das ameaças impostas pelas forças iranianas’.

O Irã disse na segunda-feira que derrubou um ​drone furtivo ‘hostil’ usando um novo sistema de defesa aérea, informaram as agências de notícias iranianas, sem dizer de onde veio.

Os ataques dos EUA ​ocorreram no momento em que o principal negociador do Irã e seu ministro das Relações Exteriores estavam em Doha para conversar com o primeiro-ministro do Catar sobre um possível acordo com os EUA para pôr fim à guerra de três meses, informou uma autoridade informada sobre a visita.

Rubio disse a ‌repórteres em Nova Delhi que os EUA dariam ​à diplomacia todas as chances de sucesso antes de considerar a possibilidade de negociar com o Irã de ‘outra forma’.

Ele acrescentou que havia ‘algo bastante sólido sobre a mesa’, referindo-se às negociações sobre ⁠a reabertura do estreito e ​uma ‘negociação muito real, ​significativa e limitada no tempo sobre a questão nuclear’.

Em uma longa publicação no Truth Social na segunda-feira, ⁠o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ​afirmou que as negociações com o Irã estavam indo “muito bem”, mas alertou para a possibilidade de novos ataques caso elas fracassassem. “Será apenas um grande acordo para todos ou ​nenhum acordo”, escreveu ele.

Em outra indicação das tensões da região, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse na segunda-feira que Israel intensificaria ​os ataques contra a ⁠milícia Hezbollah, apoiada pelo Irã, no Líbano.

Logo em seguida, os militares israelenses disseram que estavam atacando a ⁠infraestrutura do Hezbollah no Vale de Bekaa, no leste do Líbano, e em outras áreas.

Israel e o Líbano chegaram a um acordo de cessar-fogo em meados de abril, mas Israel continuou realizando ataques aéreos que, segundo o país, são atos de autodefesa contra o Hezbollah, que não fazia parte da trégua.

Matéria publicada no portal InfoMoney, no dia 26/05/2026, às 06:24 (horário de Brasília)