Rússia suspende exportações de diesel e amplia pressão sobre o mercado global; Brasil pode enfrentar custos mais elevados

A Rússia anunciou a suspensão das exportações de diesel como medida para garantir o abastecimento doméstico, diante da redução na capacidade de refino provocada pelos sucessivos ataques de drones ucranianos às refinarias do país. O anúncio foi feito pelo vice-primeiro-ministro Alexander Novak durante reunião do governo com o presidente Vladimir Putin.

A ofensiva contra a infraestrutura energética russa reduziu significativamente o processamento de petróleo bruto, levando diversas regiões do país a adotarem medidas de racionamento de combustíveis. Como consequência, o governo decidiu priorizar o mercado interno, interrompendo temporariamente as vendas de diesel ao exterior.

Mesmo antes da proibição, os embarques russos já apresentavam forte retração. Nas três primeiras semanas de junho, as exportações de diesel e gasóleo recuaram para uma média de aproximadamente 490 mil barris por dia, pouco mais da metade do volume registrado em 2025.

A decisão ocorre em um momento de elevada tensão no mercado internacional de energia. Além dos impactos provocados pelo conflito entre Rússia e Ucrânia, a guerra envolvendo o Irã já vinha pressionando a oferta global de combustíveis. Como a Rússia ocupa a posição de segundo maior exportador mundial de diesel, atrás apenas dos Estados Unidos, a retirada desse volume do mercado tende a reduzir ainda mais a disponibilidade do produto e sustentar preços internacionais mais elevados.

Impactos para o Brasil

O anúncio tem relevância especial para o mercado brasileiro. Em 2026, cerca de 65% de todo o diesel importado pelo Brasil teve origem na Rússia, o equivalente a aproximadamente 4 bilhões de litros. A suspensão das exportações interrompe uma das principais fontes de abastecimento externo do país justamente em um cenário de oferta global mais restrita.

A procura do mercado brasileiro por diesel russo aumentou durante a crise no Oriente Médio. O cenário de restrição promoveu o alívio de algumas sanções impostas à Rússia pela guerra na Ucrânia, permitindo que o país exportasse combustível mais livremente e ajudasse a atender a uma demanda crescente.

Dados: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços

No entanto, devido às restrições impostas pelo governo russo para tentar atender a demanda interna, as importações brasileiras de diesel russo caíram 65% em junho na comparação com maio. O volume comprado da Rússia pelo Brasil ficou em 351,7 milhões de litros em junho, ante um bilhão de litros em maio. Na comparação com junho do ano passado, a queda foi de 48%.

Na prática, o Brasil deverá buscar fornecedores alternativos para suprir parte dessa demanda.

Em junho, o diesel russo foi em grande parte substituído pelo diesel americano, com o volume importado vindo dos EUA crescendo 74% entre maio e junho, segundo levantamento do portal Eixos.

O cenário deve seguir em julho, indicam informações preliminares da Abicom. Para este mês, há expectativa de reforço também com importações da Índia.

“A nossa expectativa é que, em julho, em torno de 18% do diesel venha da Rússia e em torno de 75% a 78% dos EUA e 5% da Índia”, indica o presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araújo.  

É uma inversão da tendência que vinha ocorrendo desde 2022, quando a Rússia passou a ser uma importante fonte de suprimento de diesel para o Brasil. 

Contudo, novos mercados podem apresentar condições comerciais menos competitivas, tanto em relação ao preço quanto aos custos logísticos. Esse movimento tende a elevar o custo de importação do combustível, aumentando a pressão sobre a cadeia de distribuição e, consequentemente, sobre os preços internos do diesel.

Além do impacto direto no combustível, eventuais aumentos no preço do diesel têm potencial para afetar diversos segmentos da economia brasileira, especialmente o transporte rodoviário de cargas, a atividade agrícola e setores cuja logística depende intensamente desse insumo.

Diante desse cenário, o mercado deverá acompanhar atentamente a evolução da oferta internacional, a capacidade de diversificação das importações brasileiras e os próximos desdobramentos geopolíticos, fatores que continuarão influenciando a formação dos preços do diesel nos próximos meses.

Matéria de autoria da equipe de comunicação da Raion Consultoria.