Vendas de veículos caminham para fechar 2026 no maior patamar em 12 anos

A produção de veículos no Brasil caiu 1,1% em setembro na comparação com agosto, mas as vendas de carros novos cresceram 2,3% no mesmo período. Apesar da diferença entre os indicadores, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) elevou sua previsão para o mercado brasileiro em 2026, que pode alcançar 3,1 milhões de unidades vendidas, o maior volume desde 2014.

A nova estimativa é de 3,099 milhões de veículos emplacados até dezembro, crescimento de 15,2% em relação a 2025. A projeção anterior era de 3,014 milhões de unidades.

O resultado será impulsionado principalmente pelas vendas de automóveis e comerciais leves. Para esses segmentos, a previsão subiu de 2,885 milhões para 2,970 milhões de unidades, alta de 16,4% em relação ao ano passado.

Já caminhões e ônibus seguem na direção contrária. A Anfavea reduziu a estimativa para os veículos pesados e agora espera uma retração de 6,5% nas vendas em 2026.

Vendas de veículos crescem, produção encolhe

Em setembro, as fábricas brasileiras produziram 268,3 mil veículos, incluindo automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. Embora o volume represente uma queda de 1,1% em relação a agosto, houve crescimento de 10,2% na comparação com setembro de 2025.

No acumulado de janeiro a setembro, a produção chegou a 2,17 milhões de unidades, avanço de 8,7% em relação ao mesmo período do ano passado.

As vendas tiveram desempenho superior. Foram licenciados 281,4 mil veículos em setembro, crescimento de 15,7% na comparação anual. Nos primeiros nove meses de 2026, os emplacamentos somaram 2,26 milhões de unidades, alta de 18,1%.

Com esses resultados, a Anfavea também revisou a projeção de produção para o fechamento do ano. A expectativa é que o Brasil fabrique mais de 2,8 milhões de veículos em 2026, crescimento de 6,7% e melhor resultado desde 2019.

Carros elétricos ajudam a impulsionar vendas

Além do crescimento dos modelos convencionais, os veículos eletrificados têm contribuído para o avanço do mercado brasileiro.

Segundo a Anfavea, as vendas de automóveis eletrificados cresceram 22,5% no acumulado de 2026. Desse desempenho, 84 mil unidades adicionais estão relacionadas ao segmento de entrada, impulsionado pelo programa Carro Sustentável.

Os eletrificados, por sua vez, somaram 242 mil unidades vendidas no período. Os veículos totalmente elétricos triplicaram suas vendas, enquanto a participação dos eletrificados chegou a 20,1% dos emplacamentos de veículos leves zero-quilômetro.

O crescimento desses modelos ocorre em meio à ampliação da oferta de veículos híbridos e elétricos no mercado brasileiro, incluindo produtos de fabricantes chinesas que expandem sua presença no País.

Importações avançam 30,4% no ano

Enquanto as vendas internas crescem, o comércio exterior apresenta um cenário diferente para a indústria automotiva brasileira.

As exportações de veículos caíram 24,2% em setembro na comparação com o mesmo mês de 2025, totalizando 39,8 mil unidades.

Entre janeiro e setembro, o Brasil exportou 334 mil veículos, retração de 23%. A Anfavea também revisou sua previsão para o fechamento de 2026 e agora espera queda de 17,7% nas exportações.

Entre os fatores apontados pela entidade estão a retração do mercado argentino e o aumento da concorrência de veículos chineses em outros países da América do Sul.

No sentido contrário, as importações seguem em alta. Em setembro, foram registrados 57.196 veículos importados, crescimento de 34,9% na comparação anual.

No acumulado do ano, o Brasil recebeu 463,9 mil veículos do exterior, aumento de 30,4%. Desse total, 55% têm origem chinesa.

Os veículos chineses também ampliaram sua participação no mercado nacional e já representam 11,3% dos emplacamentos.

Montagem de veículos importados chama atenção

O aumento da produção brasileira também trouxe uma preocupação para a Anfavea: a participação crescente de veículos montados no País a partir de componentes importados.

Essas operações utilizam principalmente dois sistemas. No SKD, os veículos chegam parcialmente desmontados para a montagem final. Já no CKD, chegam em conjuntos de peças e componentes que são montados nas fábricas brasileiras.

Segundo o presidente da Anfavea, Igor Calvet, dos 173 mil veículos adicionais produzidos no Brasil em 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado, 123 mil vieram dessas modalidades.

Isso significa que aproximadamente 71% do aumento da produção está relacionado à montagem de veículos a partir de conjuntos importados.

A preocupação da entidade é que essas operações possam gerar menos empregos e utilizar menos componentes nacionais do que os processos de fabricação com maior participação da indústria brasileira de autopeças.

A diferença também aparece no impacto econômico. Embora os veículos montados por SKD e CKD sejam contabilizados na produção nacional, o volume de peças importadas pode reduzir a participação dos fornecedores brasileiros na cadeia produtiva.

Caminhões e ônibus ficam para trás

Apesar do crescimento previsto para o mercado automotivo, os veículos pesados não acompanham o desempenho dos automóveis e comerciais leves.

A Anfavea reduziu sua projeção para caminhões e ônibus e estima queda de 6,5% nas vendas em 2026. Os dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) mostram que o mercado de caminhões acumula retração de 3,9% entre janeiro e setembro.

No último mês, houve uma recuperação de 2,5% em relação a agosto, com 9.834 unidades emplacadas. Mesmo assim, o resultado não foi suficiente para reverter a queda acumulada.

Entre os obstáculos enfrentados pelo segmento estão os juros elevados e o custo do financiamento, que dificultam a compra de novos veículos por transportadoras e empresas.

Dessa forma, o mercado brasileiro deve encerrar 2026 com crescimento expressivo nas vendas totais, mas com diferenças importantes entre os segmentos. Enquanto automóveis e comerciais leves sustentam a expansão, caminhões e ônibus ainda enfrentam dificuldades para recuperar o volume comercializado no ano passado.

Matéria publicada no portal da Fecombustíveis, no dia 13/10/2026, às 06:00 (horário de Brasília)