Xi e Putin unem-se nas críticas aos EUA em questões nucleares e de segurança
A China e a Rússia condenaram os planos do presidente dos EUA, Donald Trump, para o escudo antimíssil Domo Dourado e a política nuclear “irresponsável” de Washington em uma cúpula conjunta nesta quarta-feira, uma semana depois de o presidente Xi Jinping ter recebido Trump em Pequim.
Em comunicado conjunto, Xi Jinping e o presidente russo Vladimir Putin afirmaram que o plano de Trump para um sistema de interceptação de mísseis terrestre e espacial representa uma ameaça à estabilidade estratégica global.
O texto também criticou os Estados Unidos pelo vencimento do último tratado remanescente que restringia o tamanho dos arsenais nucleares dos EUA e da Rússia, o qual expirou em fevereiro, sem que Trump respondesse à proposta de Moscou de estender os limites por um ano.
Xi e Putin, que já se encontraram mais de 40 vezes, enfatizaram a proximidade dos laços entre Rússia e China, selados em 2022 com a assinatura de um tratado de parceria estratégica, menos de três semanas antes da invasão em larga escala da Ucrânia por Moscou.
Para Xi, isso coroou uma semana notável de diplomacia, na qual ele se propôs a apresentar a China como um pilar de estabilidade em um mundo abalado por guerras comerciais e conflitos militares no Irã e na Ucrânia.
Embora a cúpula com Trump tenha se concentrado principalmente em administrar as tensões entre os dois países mais poderosos do mundo, o encontro com Putin representou um desafio diferente: como demonstrar progresso em uma relação que ambos os lados já proclamaram ser “sem limites”.
Mas não houve nenhum avanço aparente em relação ao novo e gigantesco gasoduto, o Força da Sibéria 2, que os dois lados vêm discutindo há anos.
Moscou empenhada em prosseguir com o oleoduto
Antes da visita, Moscou havia sinalizado que buscava novos acordos energéticos com a China, o maior comprador de petróleo russo, incluindo fornecimento por oleoduto e remessas marítimas.
Durante a última visita de Putin, em setembro de 2025, a gigante russa do gás Gazprom afirmou que ambos os lados concordaram em prosseguir com o projeto Força da Sibéria 2, um gasoduto de 2.600 km (1.616 milhas) para transportar 50 bilhões de metros cúbicos (bcm) de gás por ano da Rússia para a China, passando pela Mongólia.
A China tem se pronunciado muito pouco publicamente sobre o projeto. Embora Xi Jinping tenha afirmado na quarta-feira que a cooperação em conectividade energética e de recursos deveria ser o “lastro” das relações China-Rússia, ele não mencionou o gasoduto.
Questões cruciais, como o preço do gás, permanecem sem solução, e analistas preveem que as negociações poderão levar anos.
O Kremlin afirmou que ambas as partes chegaram a um ” entendimento geral sobre os parâmetros” do projeto, embora nenhum detalhe ou cronograma claro tenha sido acordado.
Guarda de honra e saudação de tiros
Xi Jinping recebeu Putin com uma guarda de honra e uma salva de tiros no Grande Salão do Povo, em Pequim, enquanto crianças agitavam bandeiras chinesas e russas.
Xi Jinping afirmou que os países devem se concentrar em estratégias de longo prazo e promover um sistema de governança global “mais justo e razoável”, de acordo com a agência de notícias estatal chinesa Xinhua.
“As relações China-Rússia atingiram este nível porque conseguimos aprofundar a confiança política mútua e a cooperação estratégica”, disse Xi no início de seu encontro com Putin. Putin afirmou, após as conversas, que os laços russo-chineses “atingiram um nível verdadeiramente sem precedentes e continuam a se desenvolver”.
Ambas as partes assinaram conjuntamente uma declaração sobre o fortalecimento da coordenação estratégica abrangente e uma declaração que defende a multipolaridade na ordem mundial.
“A agenda global de paz e desenvolvimento enfrenta novos riscos e desafios, com o perigo de fragmentação da comunidade internacional e um retorno à ‘lei da selva'”, afirmou a declaração conjunta, de acordo com o Kremlin.
Matéria publicada na Reuters, no dia 19/05/2026, às 16:51 (horário de Brasília)