Petrobras bate recordes de refino e reduz importações em meio à guerra no Irã

Em estratégia para enfrentar a alta do preço dos combustíveis após o início da guerra no Irã, a Petrobras bateu recordes de refino no segundo trimestre e reduziu suas importações de combustíveis ao menor volume trimestral de sua história.

Segundo relatório divulgado nesta terça-feira (28), a estatal operou seu parque de refino a 101,2% de sua capacidade, superando os 101,1% registrados no terceiro trimestre de 2014, quando o mundo também enfrentava um cenário de alta do petróleo.

Com essa estratégia, bateu recordes de produção de diesel e de querosene de aviação, produtos impactados pelo conflito no Oriente Médio. No trimestre, a Petrobras produziu uma média de 1,9 milhão de barris de combustíveis, alta de 11% em relação ao mesmo período de 2025.

Com isso, a estatal reduziu suas importações de combustíveis a 67 mil barris por dia, o menor volume trimestral de sua história. Parte da necessidade brasileira de importações foi suprida por empresas privadas.

Por isso, as vendas de combustíveis da Petrobras cresceram menos: 1,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. No mercado de diesel, principal combustível importado pelo país, a produção da Petrobras cresceu 12,4% na comparação anual, enquanto as vendas cresceram apenas 2,9%.

A estratégia de substituir importações por produção nacional minimizou as perdas pela venda de produtos com defasagem no mercado interno após o início da guerra. Importadores e refinadores privados tiveram mais flexibilidade para repassar preços ao consumidor final.

O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criou uma série de programas de subvenção às vendas de diesel, com diferentes valores ao longo do conflito, mas, por grande parte do tempo, eles não foram suficientes para cobrir toda a defasagem em relação às cotações internacionais.

Na abertura do mercado desta terça, por exemplo, o preço médio de venda de diesel pelas refinarias da estatal estava R$ 2,18 por litro abaixo da paridade de importação medida pela Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis).

“O cenário internacional volátil marcou o segundo trimestre, tornando ainda mais relevantes a eficiência operacional e a integração dos nossos ativos, que permitiram maior aproveitamento da nossa produção de derivados e menor necessidade de importações”, disse a diretora de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, Angelica Laureano.

A subvenção em vigor atualmente garante às empresas um ressarcimento de R$ 1,12 por litro, um pouco mais da metade da diferença. O governo chegou a anunciar o desmonte dos programas de subvenção, mas recuou diante da retomada dos ataques no Irã.

Com o início da operação de novos poços produtores no pré-sal, a Petrobras bateu também recordes de produção de petróleo e gás no segundo trimestre. Na média, a empresa produziu 3,34 milhões de barris de óleo equivalente por dia, alta de 14% em relação ao mesmo período do ano anterior.

No segundo trimestre, disse a estatal, foram dez novos poços produtores, quatro deles na bacia de Campos e seis na bacia de Santos. Uma nova plataforma, a P-79, iniciou as operações no campo de Búzios, no pré-sal.

“Os resultados deste trimestre refletem, sobretudo, os ganhos consistentes de eficiência operacional dos nossos ativos e um significativo avanço das operações das nossas unidades, alcançando novos recordes de produção”, disse a diretora de Exploração e Produção da companhia, Sylvia Anjos.

Matéria publicada no portal da Fecombustíveis, no dia 29/07/2026, às 06:00 (horário de Brasília)