Bolsonaro lidera Lula enquanto crise na Suprema Corte brasileira energiza a direita
Flávio Bolsonaro ultrapassou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma nova pesquisa, enquanto o senador de direita aproveita a turbulência no Supremo Tribunal Federal para mobilizar eleitores conservadores.
Segundo pesquisa do BTG Pactual/Nexus divulgada nesta terça-feira, Bolsonaro receberia 46% dos votos contra 45% de Lula no segundo turno das eleições do mês que vem. Uma semana antes, a pesquisa apontava Lula com 1 ponto percentual de vantagem. A diferença entre Bolsonaro e Lula está dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais da pesquisa.
Uma pesquisa da Quaest divulgada na segunda-feira mostrou os candidatos empatados com 41% dos votos cada, em um cenário de segundo turno. Uma semana antes, a mesma empresa de pesquisas apontava Lula à frente por 1 ponto percentual.
Bolsonaro, de 44 anos, vem ganhando força à medida que as acusações de corrupção envolvendo um dos filhos de Lula e a fragilidade da economia pesam sobre a campanha de reeleição do presidente de esquerda. Agora, uma crise crescente no Supremo Tribunal Federal lhe deu mais um poderoso argumento: o destino do ministro Alexandre de Moraes, que presidiu o caso que levou o ex-presidente Jair Bolsonaro à prisão por tentativa de golpe.
“Temos que proteger o Supremo Tribunal Federal de Alexandre de Moraes”, disse Bolsonaro a apoiadores reunidos na Avenida Paulista, uma das principais vias de São Paulo, durante as comemorações do Dia da Independência, na segunda-feira. “Não podemos permitir que essa laranja podre manche todo o tribunal.”
Moraes dominou os discursos que antecederam a aparição de Bolsonaro em cima de um carro-forte. O pastor evangélico Silas Malafaia e outras figuras conservadoras exigiram sua destituição, enquanto o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, pediu que a justiça investigasse a fundo as acusações contra ele.
A reação negativa contra Moraes intensificou-se na semana passada após a publicação de mensagens privadas que pareciam mostrar uma relação mais próxima entre o juiz e Daniel Vorcaro , ex-proprietário do Banco Master SA, a instituição financeira falida que está no centro de uma extensa investigação de fraude.
A controvérsia deu a Bolsonaro a oportunidade de desviar a atenção do escrutínio de suas próprias negociações com Vorcaro, enquanto busca vincular Moraes a Lula politicamente. “Quem vota em Lula está votando em Alexandre de Moraes”, disse ele à multidão. Moraes, no entanto, foi nomeado para o tribunal em 2017 pelo então presidente Michel Temer, e não por Lula.
As revelações foram particularmente prejudiciais ao tribunal porque Moraes havia construído uma reputação entre muitos brasileiros como um defensor ferrenho da democracia por meio de seus confrontos com aliados de Bolsonaro. Ele supervisionou investigações sobre ataques ao sistema eleitoral e, posteriormente, o caso que condenou o ex-presidente por conspiração para um golpe de Estado.
A turbulência no Supremo Tribunal aumentou ainda mais quando Moraes entrou em conflito público com o Ministro André Mendonça, relator responsável pelo caso Banco Master. Mendonça tornou público material policial contendo mensagens extraídas do celular de Vorcaro que, segundo os investigadores, envolviam Moraes, desencadeando acusações entre dois dos membros mais poderosos do tribunal.
A disputa pode agora chegar ao pleno do tribunal, que poderá ser chamado a decidir se Mendonça deve permanecer à frente do caso Banco Master. Mendonça foi indicado por Jair Bolsonaro e há muito tempo se mostra cético em relação ao que os conservadores consideram um uso excessivo dos vastos poderes do Supremo Tribunal Federal. Qualquer tentativa de afastá-lo poderia dar a Bolsonaro mais argumentos para alegar que o tribunal está protegendo Moraes da fiscalização.
Enquanto isso, Lula passou o Dia da Independência nas comemorações oficiais em Brasília, acompanhado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta.
O presidente de 80 anos também enfrentou seus próprios contratempos nos últimos dias. O Senado adiou na semana passada a votação de um projeto de lei para reduzir a jornada de trabalho, uma proposta emblemática que Lula tornou central em sua campanha eleitoral. Dados divulgados no início da semana também mostraram uma desaceleração da economia, com as altas taxas de juros pressionando o crescimento.
Os brasileiros votam em 4 de outubro no primeiro turno, com um provável segundo turno três semanas depois. A Quaest entrevistou 2.004 eleitores entre 3 e 6 de setembro. A pesquisa tem uma margem de erro de mais ou menos 2 pontos percentuais. A BTG/Nexus entrevistou 2.002 pessoas entre 4 e 7 de setembro.
Matéria publicada na Bloomberg, no dia 07/09/2026, às 19:09 (horário de Brasília)

