Irã afirma que acordo sobre o Estreito de Ormuz com Omã está a poucos dias de ser concluído

O Irã afirmou que um acordo com Omã para gerenciar a navegação pelo Estreito de Ormuz é iminente, uma medida que poderia reforçar o controle de Teerã sobre a hidrovia e levantar questões sobre como os EUA responderiam.

O acordo, que os dois países vêm negociando há várias semanas, está em fase final e incluirá detalhes sobre uma rota segura temporária através do ponto de trânsito crucial para o fornecimento de energia, disse Esmail Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, a repórteres em Teerã, na segunda-feira.

Descrevendo o acordo como um “entendimento”, ele afirmou que ele seria documentado junto à Organização Marítima Internacional, órgão das Nações Unidas responsável pelo transporte marítimo global. “As negociações avançaram muito bem”, disse Baghaei, acrescentando que esperava que não houvesse interferência de terceiros, que ele não nomeou.

Os preços do petróleo reduziram brevemente os ganhos após a notícia, em meio ao otimismo de que um acordo entre Irã e Omã ajudará mais petroleiros e outras embarcações comerciais a atravessarem o ponto de estrangulamento e reduzirá a probabilidade de ataques à navegação partindo de Teerã. O petróleo Brent era negociado em leve alta, a quase US$ 97 o barril, às 12h em Londres, após ter chegado a ser negociado a US$ 97,93 no início do dia.

Analistas da Macquarie afirmaram na segunda-feira que estão observando cerca de 7 milhões de barris por dia de petróleo bruto e combustíveis refinados cruzando o Estreito de Ormuz, citando conversas com clientes. Esse número se compara aos cerca de 20 milhões antes do início da guerra. Eles acrescentaram que um pequeno grupo de armadores está disposto a cruzar o Estreito de Ormuz pelo preço certo, possibilitando o trânsito de volumes substanciais de petróleo.

A notícia sobre o potencial acordo entre Irã e Omã surgiu após alegações iranianas, feitas no fim de semana, de que atacaram três navios que seguiam uma rota não autorizada e três embarcações ligadas aos EUA em outros locais. A Bloomberg não conseguiu verificar imediatamente essas alegações, e pessoas envolvidas no trânsito pelo estreito disseram não ter visto evidências de incidentes graves decorrentes de ataques iranianos nos últimos dias.

Anteriormente, as forças armadas dos EUA haviam declarado ter atacado três petroleiros iranianos, um dos quais foi destruído, em resposta ao ataque da Guarda Revolucionária Islâmica contra dois navios de guerra da Marinha dos EUA com mísseis balísticos.

As instalações petrolíferas da Saudi Aramco em Jazan, no Mar Vermelho, foram atingidas e os danos estão sendo avaliados, informou o Financial Times nesta segunda-feira, citando fontes familiarizadas com o assunto. Tanques de armazenamento no local já haviam sido alvos de militantes houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã.

O Irã e Omã têm buscado formalizar o controle do estreito, que ambos fazem fronteira, e provavelmente irão cobrar taxas de serviço. Os EUA, que estão bloqueando os portos iranianos para impedir as exportações de petróleo da República Islâmica, querem que a hidrovia retorne ao seu status pré-guerra, de livre utilização.

O Irã efetivamente fechou o estreito depois que os EUA e Israel iniciaram os ataques no final de fevereiro. Todas as negociações com o objetivo de resolver o conflito fracassaram até agora, resultando em um impasse instável, caracterizado por ocasionais rodadas de ataques recíprocos.

A guerra, que já dura sete meses, elevou os preços do petróleo, dos combustíveis e do gás natural, ameaçando alimentar a inflação global. O governo do presidente dos EUA, Donald Trump, está sob pressão para pôr fim ao conflito, que fez com que o preço do diesel no varejo americano atingisse um recorde histórico e colocou os republicanos em risco de perder o controle do Congresso nas eleições de meio de mandato, em novembro.

Matéria publicada na Bloomberg, no dia 07/09/2026, às 05:21 (horário de Brasília)