Governo projeta aumento da mistura de biodiesel até final do ano

O Ministério de Minas e Energia projeta ser possível aumentar a mistura do biodiesel no diesel até o final de 2026 —medida defendida publicamente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Hoje o que impede que essa medida seja tomada pelo CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) é a falta de estudos que comprovem que ela não trará problemas aos veículos em circulação no Brasil.

Integrantes da pasta afirmam que essa etapa deve começar ainda em maio e foi investido R$ 30 milhões, por meio do Fundo Nacional de Ciência e Tecnologia, para ampliar a capacidade de testagem, com a ampliação de dois para 16 laboratórios mecânicos e químicos e de dois para 6 bancadas (plataforma onde se liga um motor com determinado combustível para analisar seu desempenho).

A expectativa é que essa etapa seja vencida em alguns meses, o que dá o aval técnico para que a medida avance, mas não em um futuro tão próximo.

A expectativa é que isso seja possível nos últimos meses do ano. No entanto, o prazo pode ser encurtado se governo ou empresas do setor mobilizarem mais equipamentos para a realização de testes.

A partir daí, cabe ao governo decidir tomá-la ou não, o que leva em consideração fatores como o preço do insumo no mercado e o cenário geopolítico.

Hoje cada litro de diesel tem 15% de seu equivalente sustentável. O setor pressiona para que isso suba para ao menos 16%.

“De 1% em 1% a gente vai convencer o mundo de que se alguém quiser inventar combustível renovável, não precisa gastar com pesquisa. Venha no Brasil que nós fazemos transferência de tecnologia”, disse Lula no final de abril.

O setor de biodiesel defende que essa medida pode evitar que a guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã aumente o preço do combustível no país —o que pode impactar negativamente a popularidade do presidente às vésperas da eleição.

O conflito fez o preço do petróleo explodir em todo o mundo e, como cerca de 25% do diesel consumido no Brasil é importado, afetou diretamente o cenário nacional.

Até aqui, o governo Lula já isentou o diesel de PIS e Cofins (o que também incluiu biodiesel) e, depois, criou uma subvenção ao combustível fóssil, que chegou, em abril, a R$ 1,52 por litro (para o diesel importado).

Entidades do agronegócio reclamam que o governo optou por ajudar empresas internacionais —sobretudo argentinas, que devem ser as produtoras mais beneficiadas com a medida— em vez de fortalecer a indústria nacional de combustíveis sustentáveis, mercado do qual o Brasil é um dos principais atores no mundo.

A decisão de aumentar a mistura precisa passar pelo CNPE, conselho composto por todos os ministérios da Esplanada.

O órgão tem na sua pauta, por enquanto, apenas a elevação do etanol na gasolina, de 30% para 32%. Havia a previsão de que uma reunião do colegiado para oficializar a medida acontecesse no início de maio. O encontro foi remarcado para a próxima segunda (11) e acabou sendo desmarcado.

Matéria publicada no portal da Fecombustíveis, no dia 08/05/2026, às 06:00 (horário de Brasília)