Lucro da Petrobras dobra com guerra, e estatal anuncia R$ 17,4 bilhões em dividendos
No primeiro trimestre completo sob efeito da alta do petróleo após o início da guerra no Irã, a Petrobras registrou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões, quase o dobro (97% a mais) do mesmo trimestre do ano anterior. Foi seu melhor resultado desde o segundo trimestre de 2022, em meio ao conflito na Ucrânia.
Pelo desempenho, a Petrobras anunciou a distribuição de R$ 17,4 bilhões em dividendos a seus acionistas. Acionista majoritário, o governo federal terá direito a R$ 6,2 bilhões (incluindo fatias de bancos públicos e fundos de pensão).
O resultado da Petrobras no trimestre foi puxado pela alta do petróleo e pelo recorde de produção de petróleo e gás. A cotação média do Brent subiu 54,1% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, para US$ 104 por barril. A produção aumentou 14%, para 3,34 milhões de barris de óleo equivalente por dia.
“Os recordes operacionais que alcançamos neste segundo trimestre nos levaram a um dos maiores resultados financeiros trimestrais da série histórica da Petrobras”, celebrou, no balanço, o diretor financeiro da companhia, Fernando Melgarejo.
Os resultados ficaram bem acima do esperado pelo mercado. Desconsiderando fatores extraordinários, o lucro teria sido de R$ 55,7 bilhões, alta de 140% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. A expectativa média do mercado, segundo a Bloomberg, era de R$ 45 bilhões.
A estatal segue em linha com outras grandes petroleiras que já divulgaram balanços do segundo trimestre. As americanas ExxonMobil e ConocoPhillips, por exemplo, dobraram seus lucros. As britânicas Shell e BP anunciaram crescimento de cerca de 130%.
Os elevados lucros do setor são questionados por organizações ambientalistas, que pedem a redução da queima de fósseis para enfrentar a mudança climática.
“Enquanto comunidades em todo o mundo enfrentam ondas de calor recordes, incêndios florestais e o aumento do custo de vida, as maiores empresas de petróleo e gás do mundo confirmaram mais um trimestre de lucros extraordinários”, escreveu a 350.org.
A guerra começou no fim de fevereiro, com os primeiros ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã. Em retaliação, o Irã fechou o estreito de Hormuz, por onde passava cerca de um quinto da produção mundial de petróleo. O barril disparou e chegou a valer quase US$ 120.
Com petróleo mais caro e maior produção, a receita da Petrobras aumentou 42,3% no trimestre, para R$ 169,5 bilhões. O Ebitda, indicador que mede a capacidade de gerar caixa, subiu 79,6%, para R$ 93,8 bilhões.
No trimestre, a Petrobras vendeu combustíveis com preço médio 23% superior ao registrado no mesmo período de 2025. A cesta média de produtos da empresa foi vendida a R$ 578 por barril.
Ainda assim, a companhia operou com períodos de grande defasagem em relação às cotações internacionais, que dispararam após o início do conflito no Oriente Médio. Parte da perda, porém, foi compensada por programas de subvenção criados pelo governo.
No balanço divulgado nesta quarta-feira (6), a estatal calculou em R$ 9,7 bilhões o valor que tem a receber em subvenção ao diesel. No fim de julho, disse que já havia recebido R$ 6 bilhões. A empresa fala ainda em R$ 816 milhões em subvenção à gasolina e R$ 84 milhões em subvenção ao gás de cozinha.
Criado para bancar parte do subsídio ao diesel, o imposto temporário de exportação de petróleo custou à estatal R$ 4,8 bilhões no segundo trimestre, sendo um dos fatores extraordinários que impactaram o resultado do período.
“Para a Petrobras, a subvenção é positiva, pois permite que a companhia evite ajustar diretamente os preços dos combustíveis, ao mesmo tempo em que preserva sua política de precificação”, afirmaram analistas do BTG.
Outra estratégia para reduzir perdas foi substituir importações de combustíveis por produtos refinados no Brasil. No trimestre, a Petrobras bateu recorde de utilização de suas refinarias, superando a capacidade instalada dessas unidades.
Com isso, a produção interna de combustíveis pela empresa cresceu 11% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, para 1,9 milhão de barris por dia, enquanto suas importações caíram 68%, para 67 mil barris por dia.
No segundo trimestre de 2026, a Petrobras investiu US$ 5,2 bilhões (R$ 26 bilhões pelo câmbio médio do período), alta de 20% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os gastos foram direcionados, principalmente, a grandes projetos do pré-sal.
A dívida líquida da companhia caiu 3,5% em relação ao primeiro trimestre do ano, para R$ 312 bilhões.
A estatal informou, em nota, que o valor anunciado para os dividendos do trimestre está alinhado à sua política de remuneração aos acionistas, que prevê a distribuição de 45% do fluxo de caixa livre quando a dívida estiver abaixo de um limite preestabelecido.
“Esta distribuição é compatível com a sustentabilidade financeira da companhia”, afirmou. Isso significa que, apesar da alta do lucro, a empresa preferiu ainda não distribuir dividendos extraordinários.
A estatal já havia anunciado R$ 9,3 bilhões em dividendos no primeiro trimestre. O anúncio desta quarta, portanto, eleva para R$ 26,7 bilhões o total aprovado no ano. Deste montante, o governo tem direito a R$ 9,6 bilhões.
Matéria publicada no portal Fecombustíveis, no dia 07/08/2026, às 06:00 (horário de Brasília)

