O petróleo sobe com investidores cautelosos em relação às negociações entre Irã e Omã

Os preços do petróleo subiram na quinta-feira, com os investidores cautelosos quanto ao resultado das negociações entre Irã e Omã e se elas irão restabelecer o fluxo pelo Estreito de Ormuz, enquanto relatos de ataques a petroleiros sauditas no Mar Vermelho e no Golfo de Aden reacenderam as tensões de oferta.

Às 08:58 (horário de Brasília), os contratos futuros do petróleo Brent subiram 83 centavos, ou 1,04%, para US$ 80,28 o barril. Já os contratos futuros do petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) dos EUA avançaram 61 centavos, ou 0,81%, para US$ 75,83.

“Os investidores ainda se lembram do memorando de entendimento de curta duração assinado em junho, então existe uma ansiedade compreensível de que qualquer novo acordo possa se mostrar igualmente frágil”, disse Tim Waterer, analista-chefe de mercado da KCM Trade.

O Irã e Omã chegaram a um entendimento sobre as coordenadas geográficas de uma rota de navegação pelo Estreito de Ormuz, e um anúncio conjunto está sendo finalizado, desde que certas terceiras partes não interfiram, disse na quarta-feira o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei.

Um acordo proposto entre o Irã e Omã para ajudar a pôr fim ao conflito entre os EUA e o Irã daria a Teerã o controle sobre os navios que entram no Golfo Pérsico pelo Estreito de Ormuz, disseram à Reuters na quarta-feira uma fonte iraniana de alto escalão e dois funcionários regionais, sendo essa uma das maiores concessões feitas ao Irã até o momento.

Antes do início do conflito no final de fevereiro, o Estreito de Ormuz era responsável por cerca de um quinto do fornecimento diário global de petróleo e gás natural liquefeito.

Riscos geopolíticos persistem

“Até que vejamos aumentos sustentados e verificáveis ​​nos volumes, o mercado continuará a precificar um certo grau de risco de oferta”, acrescentou Waterer.

As exportações de petróleo bruto e condensado dos países do Golfo mantiveram-se praticamente estáveis ​​em julho, permanecendo cerca de 40% abaixo dos níveis pré-guerra, segundo dados do setor de transporte marítimo.

Segundo cinco fontes, o Irã alertou os países do Golfo de que qualquer novo ataque dos EUA em seu território desencadearia retaliação contra infraestruturas energéticas críticas em toda a região, numa tentativa de Teerã de aumentar o custo das ações militares ao ameaçar os aliados regionais mais próximos de Washington.

Os houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, disseram na quarta-feira que lançaram um ataque com mísseis contra um petroleiro saudita na costa da cidade portuária de Yanbu, no Mar Vermelho, e outro ataque com mísseis contra um petroleiro saudita no Golfo de Aden, nas proximidades. Não houve confirmação da Arábia Saudita sobre nenhum dos incidentes.

“Até o momento, os ataques dos houthis não interromperam significativamente o fornecimento de petróleo e gás, mas isso pode mudar se os ataques se intensificarem ainda mais”, disse Roberto Cominotto, analista de pesquisa de ações do Julius Baer.

Entretanto, a Arábia Saudita reduziu ligeiramente o preço oficial de venda do seu principal petróleo bruto, o Arab Light, para a Ásia em setembro, conforme mostrou um documento de preços analisado pela Reuters.

Em outro local, uma importante refinaria de petróleo na região de Yaroslavl, na Rússia, está em chamas após um grande ataque de drones ucranianos, e os serviços de emergência estão trabalhando para apagar o incêndio, disse Mikhail Evrayev, governador da região, na quinta-feira.

Matéria publicada na Reuters, no dia 06/08/2026, às 00:0o (horário de Brasília)