Lula amplia vantagem sobre Bolsonaro às vésperas da eleição presidencial no Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ampliou sua vantagem antes das eleições de outubro no Brasil, enquanto o desafiante Flávio Bolsonaro enfrentava dificuldades para superar as tensões dentro de sua poderosa família conservadora, segundo uma nova pesquisa.
Lula lidera Bolsonaro por 8 pontos percentuais , 45% a 37%, em um cenário de segundo turno, segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira. O atual presidente de esquerda tinha uma vantagem de 6 pontos percentuais sobre Bolsonaro no mês passado.
Bolsonaro ficou para trás desde a publicação de mensagens de áudio vazadas que o ligam à figura central do que as autoridades classificaram como o maior escândalo de fraude bancária da história do Brasil.
Lula amplia vantagem sobre Flávio Bolsonaro em cenário de segundo turno
Lula lidera com 45% contra 37% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro também passou as últimas semanas tentando superar uma disputa com sua madrasta, depois que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro o criticou publicamente em um vídeo postado nas redes sociais.
Mais da metade dos entrevistados afirmou que as críticas de Michelle eram total ou parcialmente verdadeiras, contra 16% que as consideraram totalmente falsas, segundo a pesquisa.
Bolsonaro agora está em conflito com o Supremo Tribunal Federal do Brasil depois que o ministro Alexandre de Moraes o proibiu de visitar seu pai por 90 dias, período que se estende até o primeiro turno das eleições.
A decisão de Moraes ocorreu depois que Bolsonaro publicou uma carta escrita por seu pai, que atualmente está em prisão domiciliar cumprindo uma sentença de 27 anos por planejar um golpe após sua derrota nas eleições de 2022, numa aparente tentativa de apaziguar a disputa familiar.
Mas Moraes afirmou que a medida violou uma ordem judicial anterior que proibia o ex-presidente de usar as redes sociais direta ou indiretamente, por meio de terceiros.
Bolsonaro criticou a decisão como “completamente desproporcional” e acusou Moraes de tentar interferir na votação, reacendendo uma antiga disputa com o Supremo Tribunal Federal, que ele já havia acusado de perseguir e censurar aliados de direita.
Lula também enfrentou possíveis reveses desde a última eleição. No final de junho, seu aliado de longa data, Jacques Wagner, renunciou ao cargo de líder do governo no Senado em meio a questionamentos sobre suas ligações com o escândalo do Banco Master, a mesma saga que tem pesado sobre Bolsonaro.
A pesquisa revelou que 37% dos entrevistados acreditam que Wagner tem um impacto “muito negativo” na popularidade de Lula.
Lula apresentou uma série de medidas para estimular a economia e beneficiar os brasileiros às vésperas da eleição. A maioria dos brasileiros considera uma boa ideia o novo programa de alívio da dívida do governo, enquanto 69% apoiam os esforços para reduzir a jornada de trabalho semanal.
No geral, o índice de aprovação de Lula subiu para 48%, enquanto o de desaprovação caiu ligeiramente para 47%, ambos dentro da margem de erro da pesquisa.
O governo aguarda atualmente um possível anúncio de novas tarifas por parte dos EUA, sendo quarta-feira o prazo estabelecido pelo Representante Comercial dos EUA para a conclusão de uma investigação sobre supostas práticas desleais do Brasil.
Bolsonaro pediu ao governo de Donald Trump, que propôs a imposição de tarifas em junho como parte do chamado processo da Seção 301, que evite punir o Brasil, argumentando que isso beneficiaria Lula nas eleições.
Quaest entrevistou 2.004 pessoas entre 10 e 13 de julho, com uma margem de erro de 2 pontos percentuais.
Matéria publicada na Bloomberg, no dia 15/07/2026, às 07:00 (horário de Brasília)
