Os preços do petróleo caem enquanto os investidores avaliam o potencial acordo de Ormuz entre o Irã e os países do Golfo
Os preços do petróleo recuaram ligeiramente na sexta-feira, enquanto os investidores avaliavam sinais de que os países do Golfo e o Irã estavam perto de um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz sob um arranjo temporário destinado a permitir negociações mais amplas para pôr fim à guerra com o Irã.
Os contratos futuros do petróleo Brent caíram 75 centavos, ou 0,9%, para US$ 81,74 o barril às 08:41 (horário de Brasília). Os contratos futuros do petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) dos EUA recuaram 66 centavos, ou 0,9%, para US$ 76,63.
Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta de mais de US$ 3 por barril na quinta-feira, enquanto o Irã analisava um projeto de lei para proibir a entrada de navios americanos e israelenses no Estreito de Ormuz, por onde passava cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo antes do início da guerra no final de fevereiro.
Os preços caíram no início da semana, à medida que uma possível solução para o conflito parecia mais provável, e ambos os índices de referência estão a caminho de uma perda semanal de cerca de 9%.
Ainda assim, analistas afirmaram que os acontecimentos desta semana sinalizam que as hostilidades entre o Irã e os EUA ainda não terminaram.
O Irã está buscando taxas entre 5% e 7% do preço das cargas dos navios que utilizam o estreito, disse um alto funcionário iraniano. Omã, por sua vez, está discutindo taxas de cerca de 3%, enquanto Washington não quer nenhuma taxa.
Quatro fontes do setor afirmaram que o acordo proposto não é facilmente viável devido às sanções dos EUA e às cláusulas restritivas de seguro sobre quaisquer pagamentos.
“A estrutura do acordo Irã-Omã em sua forma atual e o poder que ele concede ao Irã não são algo que (o presidente dos EUA, Donald) Trump possa aceitar politicamente”, disse Bjarne Schieldrop, da SEB Research. “Trump enfrentaria fortes críticas políticas em seu país se o fizesse.”
Embora os sinais desta semana sobre um possível acordo tenham provocado uma montanha-russa no sentimento do mercado, este permanece sem saber o que precisa acontecer para que o acordo seja concretizado, afirmou Vandana Hari, fundadora da Vanda Insights, empresa de análise do mercado de petróleo.
Entretanto, a Arábia Saudita prevê ataques coordenados iminentes de milícias iraquianas ao norte do país do Golfo e dos houthis do Iêmen, ao sul, sob a supervisão da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, afirmou um alto funcionário saudita.
A fonte oficial, falando sob condição de anonimato, disse na noite de quinta-feira que relatórios de inteligência da Arábia Saudita, dos Estados Unidos e de outros países da região indicavam que alvos civis e econômicos, incluindo infraestrutura de energia, portos e aeroportos, poderiam ser atingidos.
Os houthis do Iêmen afirmaram ter realizado ataques com mísseis e drones contra posições sauditas em Marib e Hadramout, no Iêmen, na quinta-feira.
A Arábia Saudita, o Paquistão e a Turquia assinaram um acordo de defesa conjunto em Meca, na sexta-feira, unindo aliados sunitas dos EUA alarmados com uma conflagração regional que lançou mísseis contra os exportadores de petróleo do Golfo.
Trump disse a repórteres na quinta-feira que acreditava que a guerra terminaria em breve.
Os investidores aguardam os dados de emprego dos EUA ainda nesta sexta-feira, que podem indicar a postura do Federal Reserve em relação às taxas de juros. Taxas de juros mais altas aumentam os custos para o consumidor, o que pode reduzir o crescimento econômico e a demanda por petróleo.
Matéria publicada na Reuters, no dia 07/08/2026, às 00:00 (horário de Brasília)
